01 julho 2011

Quanto mais PSICOLOGIA, menos PRECONCEITO.



A psicologia humaniza. Entender melhor o ser humano aprimora e liberta. No entanto, a compreensão é uma daquelas virtudes ambíguas em que nos perguntamos se vale mesmo a pena adquirir. Assim como o caráter, ela aparentemente torna a vida mais ingrata. Quanto mais aperfeiçoamos essa qualidade, mais pontos podemos perder na escala da adaptação social. Afinal, empatia requer alguns golpes no ego e esse modelito de vida não combina com o glamour do mundo da autoafirmação.

É próprio da psicologia o ato de viajar no interior alheio. Sem uma boa visão do outro, como compreendê-lo? Porém a psicologia científica atual, aliada a teorias, preceitos e dogmas acadêmicos, nem sempre funciona 100% na prática. Sabe-se que um bom curador da alma, e isso vêm desde os tempos imemoriais dos xamãs, é aquele que já passou por situações de autoconhecimento e superações, pois nem mesmo um doutorado em teoria se equipara a experienciar na própria pele os dramas da existência humana e sobreviver. Ser empático é ser inteligente enquanto ser preconceituoso é atestado de mentalidade inferior.

Porém, essa virtude ambígua que sai cara no orçamento da vida real - com todas as suas condições implacáveis de sobrevivência - tem a seu favor a característica de ser persistente e incurável. Quem tem realmente desejo de conhecer melhor a espécie humana se vê obrigado a despir-se de preconceitos, cedo ou tarde. É imprescindível ser maleável, flexível, tolerante e moderno. Na verdade, há que ser inclusive, aparentemente, rebelde.

Por exemplo, uma das máximas psicológicas é que o que odiamos no outro pode ser um aspecto inconsciente de nós mesmos. Só isso já é um jab direto no ego. Quem estará disposto a aceitar essa realidade? Se eu disser aos agressores de homossexuais que no fundo, o que eles não suportam pode ser um indício de desejo reprimido, eles então passarão a agredir a si mesmos? Ou seja... É bem mais fácil e conveniente agredir o outro.

Então, partindo dessa premissa básica de que o ódio e a aversão são compensações inconscientes, nada como a aceitação natural e sem preconceitos para garantir um exemplo sano de imparcialidade. Como aquele homem maduro e consciente de sua heterossexualidade que se permite ter amigos gays e conviver perfeitamente com eles sem se sentir ameaçado em sua masculinidade.

Muitas vezes o julgamento sobre o outro também vem de uma carga social que a pessoa carrega até sem perceber. Como um machismo ancestral que não foi capaz de diferenciar, assimilou e reflete em atitudes diversas (enquanto acha que está arrasando). Para se sentir integrada na sociedade, ela concorda com a maioria. Inércia? Não seguir essas tendências de preconceitos é pecado e crime inafiançável. A necessidade de aprovação social, de exibir uma persona irreprimível e sem máculas é uma obrigação titânica. Sair dessa identificação em busca do verdadeiro eu é tarefa de herói.

Eu gosto de gente educada, sincera e liberta. Não me importa a sexualidade, a conta bancária, a “procedência”, nem muito menos o currículo de bons modos. Fico claustrofóbica é com restrições. O que me incomoda é gente com contração de esfíncter e necessidade de controle refletindo os próprios temores e inseguranças. Adoro gente que consegue ir além da necessidade de aprovação e dar um golpe na expectativa alheia. Não por simples rebeldia, mas pelo ato heroico de bancar a própria personalidade, em sua plenitude. Gente que é.

O passatempo preferido dos infelizes que querem parecer felizes é julgar. Mas a psicologia também explica que é o recalcado o primeiro a condenar... Ele precisa cortar cabeças para se sentir mais alto.

Prefiro aqueles que desenvolveram a virtude da compreensão e assumiram um compromisso com o verbo Ser. Criaturas autênticas que por terem vencido tabus para terem sua própria vida, não envenenaram de rancor e inveja a vida alheia.

Meus heróis.

"Um homem saudável não tortura os outros. Em geral, é o torturado que se torna o torturador."

"O sapato que se ajusta a um homem aperta o outro;
não há nada para a vida que funcione em todos os casos."

Carl Jung

Um comentário:

Debora menezes disse...

Preconceito sem conceito nao tem fundamento!!Se cada um tem um conceito, reunimos e evoluimos as ideias,cada um na buscar do seu Ser unico!!!