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03 junho 2012

O Cazimi redentor: Vênus em Gêmeos chega ao coração do Sol.

 
Os primeiros capítulos dos desenhos celestes que se formam essa semana no céu já começam dramáticos e misteriosos. No dia 04 de junho o Dragão Rahu engole a Lua, ou pelo menos parte dela. Um eclipse lunar oculta parte de nosso satélite e abre as portas que separam os mundos. Enquanto a escuridão desperta energias caóticas no mundo que teme o poder do invisível, Ketu, a cauda do Dragão, abraça o Sol e inaugura as conjunções com a estrela de fogo da fortuna. Nodos lunares se alinham com Sol e Lua. Quem somos nós para interpretar tal magnitude? Os antigos usavam infinitas metáforas. Mais que definições, devemos buscar respostas em nosso imaginário e no roteiro dos mitos.

No dia seguinte, acentuando o poder e a raridade do movimento celeste atual, Vênus em Gêmeos chega ao grau 16 deste signo, sincronicamente com o Astro Rei, fazendo dos dias 05 e 06 de junho o marco de um Cazimi inesquecível. Quando um planeta se une em graus exatos com o centro da grande estrela de nosso sistema, dizemos que chegou ao “Coração do Sol”. Raro e simbólico, este acontecimento conclui um ciclo que começou em 2004. Arremates e renascimento para os temas regidos por Vênus.



Recebendo a força do Sol em um aspecto tão forte, Vênus também será purificada e curada. Temas femininos reverberam neste encontro. Poderemos inclusive observá-lo desde nossa nave Terra. Será lindo ver o pequeno planeta do amor transitando diante da fonte de luz e consciência de nossa galáxia e emanando miríades da quinta essência pelo universo...
E o que poderíamos esperar de um encontro tão cordial entre a deusa Vênus e o deus Sol?


Não esperemos milagres coletivos. Façamos arte com tal beleza inspiradora. Imaginemos infinitas possibilidades de expansão do símbolo até que os instintos se traduzam em imagens manifestadas em nossa vida. Mentalizar amor pela existência, pelos seres vivos, pelo planeta. Algo individual e íntimo. Um olhar de cumplicidade para os astros com uma inspiração de esperança já é uma forma de comunicação.


Dizem que Afrodite (Vênus) e o deus Apolo (Sol) um dia tiveram um filho: Himeneu. Sabemos, portanto, que essa união é frutífera, já nos diziam os gregos. Nos domínios do terceiro signo a conjunção se dá pelo elemento ar e sopra os ventos da mudança, enquanto o poder do pensamento se eleva às oitavas superiores.


Vênus em Gêmeos preza a conexão mental; a união de ideais que gera o amor amigo; a leveza das relações que sabem trabalhar luz e sombras; a dualidade bem embaralhada na dinâmica do autoconhecimento mútuo; as incongruências que confundem os mais inflexíveis e a maravilha de ser imprevisível num mundo que prefere aprisionar as formas, organizar a criatividade e contar o tempo em horas.


Quando o Sol, desde seu centro, joga luz nesse slide hermético geminiano, colocado diante dele pelo planeta feminino da beleza e do amor, acentua os contrastes, questiona o estabelecido, movimenta as estabilidades, mas também, abre a consciência rumo à evolução. A intenção é o equilíbrio, mas através de forças dinâmicas de atração, controversas ou não. O amor se intensifica e novas formas de harmonia se iluminam, tanto fora, quanto dentro de cada um.


O casamento de opostos ocorre antes de tudo, em nosso interior, na vivência e aceitação equilibrada das polaridades. Na dança fluida do Yin e do Yang, alternando os passos entre o masculino e o feminino, tanto dentro do homem quanto da mulher. Toda rigidez será castigada. Basta observar a infelicidade subjacente ou mesmo óbvia, dos preconceituosos. Não há unilateralidade fértil, muito menos feliz.


O casal cósmico sabe disso e se une além da matéria. Num plano além dos limites e das contradições, onde só a alma, em forma de luz, é convidada para a cerimônia. É no íntimo que se dá a união dos contrários e que a totalidade é concebida. E é lá, no âmago, que Vênus tocará o Sol.


O interior refletirá o exterior e sincronias serão ativadas. Longe dos nossos olhos ou debaixo dos nossos narizes, a mágica acontecerá. Talvez nada seja notado e os dias passem cinzas e normais. Com certeza essa é a mais provável das hipóteses. Mas é importante saber que alquimia, sintonia com o espírito da época, mediunidade interplanetária e conexão mística com o universo não é como receita de bolo, que no fim dá em algo sólido, palpável e agradável aos sentidos. É uma linguagem, uma filosofia de vida, uma maneira de encontrar significados e de dialogar com as dimensões além e adentro. Alguns botam muita fé, se fanatizam, esperam recompensas dos deuses planetários. Outros duvidam cegamente, respaldados pela Era da razão e drásticos em seu ceticismo. Como me ensinou o mestre da dualidade, Mercúrio com seu caduceu, prefiro ser qualquer coisa intermediária e apostar no poder da inteligência intuitiva.

Dizem que Himeneu era belo como seus pais e regia o casamento. Pois eu vou mandar minha alma assistir a essa boda celestial. Assim, sem pretensões. Mas vai que ela pega o buquê... Ando precisando de bons auspícios aqui em baixo, nesse mundo de densidades, ilusões, solidão e falta de sentido existencial.
 
Olaf Hajek
 

06 janeiro 2011

Estava escrito enquanto escrevo



Como sempre as histórias nos fazem pensar longe...
Reproduzem símbolos da vida real e conectam sentimentos com pensamentos criando imagens e novas realidades. Inspirada por um livro da literatura popular, fiquei tempos pensando no destino do protagonista. E depois, no destino de cada um de nós e então, no meu destino também.
Será que já está tudo simplesmente escrito?

O personagem nasceu com um dom.
Em sua carne, em seu corpo e principalmente em seu sangue corria um poder especial. Ele sabia disso.
E seguindo seus instintos, guiado por sua anatomia e por sua obsessão, chegou até seu destino.
Não sem antes passar por grandes aprendizados e experiências.

No entanto, a cada passo, ele nem sequer pensava no que fazia, não questionava seus atos.
Uma força cega, maior que ele mesmo, o conduzia obstinadamente rumo à lei da sobrevivência, que para ele, significava matar sua fome insaciável de reconhecimento e adoração.
Nunca se sentiu amado de verdade.

Ele completou seu plano egoísta, se surpreendeu insatisfeito e teve um trágico final.
Sua história é fascinante justamente por isso. Não lhe foi dada a possibilidade de reflexão. Sua compulsão era tal, sua neurose era tão arraigada e sobrenatural que questionamos inclusive sua humanidade, daí a graça da história. Mas... E se ele tivesse parado para pensar na consequência de seus atos? E se ele tivesse feito escolhas? E se ele tivesse... Consciência?

Destino impresso, Maktub, ou “estava escrito” pode soar bem fatídico, como se o ser humano realmente não tivesse opção no caminho longo e curvilíneo da vida. E essa é uma questão profunda e complexa. Temos realmente escolha?

Pensando sobre o decorrer das histórias dos livros e das histórias reais, tento perceber até onde a consciência pode interferir no que chamamos, destino. Me vem aquela frase de caminhão na cabeça: “Você faz suas escolhas e suas escolhas fazem você”. Como a sabedoria popular guarda pérolas valiosas do saber mágico, sou inclinada a concordar.

Para mim não há dúvidas que a anatomia e a constituição psicológica, assim como fatores misteriosos que podemos chamar de “aspectos da alma”, são responsáveis por parte de um destino escrito, sim.
Como uma semente potencial que não tem como fugir de brotar o fruto que traz. Mas, se como o personagem, somos guiados apenas por eles, teremos um destino cego, categórico e inevitável.
Se ao contrário, somos capazes de ir além e fazer escolhas conscientes e virtuosas, é possível escrevermos novas linhas e roteiros.

Muitas vezes os caminhos fáceis e cegos nos confundem.
As aparências enganam, o sucesso é relativo, o mundo dá voltas estranhas...
Nunca sabemos bem o que se passa no íntimo das pessoas, mas se essas são vítimas de sua própria compulsão inconsciente, o exterior implacável é bem mais uma compensação de traumas e inseguranças que fruto do acaso. O que não foi resolvido dentro aparece fora como fato, ou melhor dizendo como fatum, a palavra para “destino” em latim.

Como uma marionete nas mãos de fantasmas internos, elas dançam, cantam, acontecem e não medem esforços para seus objetivos. Não percebem a atuação dos co-autores invisíveis que elas mesmas alimentam.
Algumas parecem brilhantes e bem sucedidas, mas não sabem sequer se livrar de sua própria alienação.

Parar tudo e olhar ao redor, olhar para dentro e perceber o livre arbítrio e seu fator sobre o destino é ser um alquimista contemporâneo. Simples, moderno, fino... No entanto, infelizmente, nada comum.
O fatalismo é só pra quem não negocia com suas vozes interiores, pra quem não sente os desígnios de uma força maior que sabe mais que nós mesmos sobre nossa verdadeira natureza.

Saber disso é não precisar mais estar identificado com as tendências, com os movimentos, com a sociedade e com os valores edificados sei lá por quem...  Pensar além dos exemplos ao redor. Conectar por feeling, desconectar por intuição. Saber o que se gosta e o que se é além do que nos ensinaram. Autonomia de princípios.
Obviamente essa ruptura com as ilusões é opcional. Existe um preço e nem todos estão dispostos (ou em condições) de pagar.

Difícil, desafiador, muitas vezes heroico, mas viver na sociedade paralela da individuação é completamente possível, quem sabe até mais fácil que se ver integrado, em comunhão, em “participação mística” como faziam os ancestrais, enquanto a alma grita inquieta lá de dentro: “somos mais que isso”!

E na terra dos independentes, pode-se encontrar várias amizades afins, cada uma no seu mundo. Várias particularidades se encontram, se misturam, sem inveja, sem medo de ser. Novas histórias são escritas. Atemporais, apócrifas, criativas, coloridas, únicas e inesquecíveis.

Sobre a história que me inspirou... Pura ficção, mas espelhada no ultra real. Nem considero importante aqui dizer o nome, afinal de contas, novelas, romances e biografias acontecem a toda hora, e os personagens principais sempre somos nós.


23 abril 2009

San Jorge, no mate a mi Dragón!

Ana Maria Pacheco
 
Aléjate de mi héroe del pasado!
Tu espada ya no me hace falta y tu caballo blanco no es más que cobardía.
Que te hace pensar que podrías matar al inmortal?
De donde has sacado esta ingenua ilusión?
De mi monstruo cuido yo!
Con mi sensibilidad y mi varita mágica.
Con mi comprensión natural y el dominio sutil acerca de su verdadera naturaleza.
No lo quiero muerto, sino bajo mi comando.
No lo veo una amenaça, sino un desafio.
Nunca me ha parecido feo, pero fascinante.
Y si tengo miedo… es por su magnitud!

Caballero medieval, que bueno hayas tardado tanto…
Ahora te quedes en el pasado, entre las páginas de tu leyenda dorada.
Vuelva a la concha de tu madre terrible que no sabes confrontar.
Y a mí me dejes…
Busque a tu doncella incompleta
Hija de tu mundo equivocado.

Aquí me quedo con mi amigo fantástico,
Mi amado basilisco de fuego.
El guardián de mi más precioso secreto.
Este tesoro no te pertenece, hombre sin valor.

El verdadero héroe no viene a matarlo con una espada.
Ni a sangrarlo con una cruz.
El viene sin armas, con alma y corazón.
Y con sus ojos de serpiente, domarlo en la oscuridad.
Viene a guiarlo con su mirada y cabalgar su lomo
En nuestro cielo de estrellas
Hacia nuestro destino izquierdo
Donde Eros no llore y donde el miedo se disuelva
Delante del tesoro acumulado, ahora conquistado.
 
Adiós Jorge... Nunca he sido tu princesa y tu Eón llega al final.
 

"Sólo quien no excluya nada de su existencia, ni lo que sea enigmático y misterioso, logrará sentir hondamente sus relaciones con otro ser como algo vivo, y sólo él estará en condiciones de apurar por sí mismo su propia vida."
 
Rainer Maria Rilke

17 maio 2008

La Solitud de las Academias...

Sí que a mi me interesa la gente.
La gente és el termómetro del mundo,
La medida de las olas por venir,
Los lectores de los dioses como Dioses
Y de la naturaleza como Madre.
Tengo miedo de los solitários y tristes como Yo.
De los que a veces dudan del poder de la transformación
Y que no conocen
La vida afuera de la mente.
Sí que a mi me interesa la gente…
 

09 agosto 2007

LILITH BLUES

Baby, você está certo
É bem melhor assim
Você tem muito medo
De ir até o fim.

Ninguém nem imagina
O que vim fazer aqui
Na estrada da loucura
Um dia me perdi

Ok Baby, você venceu
Está com toda razão
Eu sou fogo demais
Pro seu pobre coração

Me desculpe se não sei pensar, meu bem.
Neste corpo de mulher, prefiro amar, amém.

E eu não posso te culpar
Por não me entender
Mais difícil ainda
Será me esquecer

Da loucura eu venho
Pra loucura eu vou
E até o meu nome
O vento levou...

Olhe para mim e pire afinal.
Tudo é tão simples, tão natural.
Sabe por que sou esse caos total?
Porque eu sou uma fêmea...
A fêmea Original.

Foto por Vinícius de Castro
 

19 janeiro 2007

ZERO


 
Às 00h00, tudo está escuro e mais um dia se inicia.
360° traçados pelos caminhos da arte.
Há muitos mais, é claro. Zero em espirais.

Há que se ter bons olhos para ver a arte.
Olhos que enxergam além da visão concreta,
olhos que sabem ver o conteúdo não expresso pela mão.
Uma volta completa ao redor das intenções já é suficiente para alcançar a visão plena.
O óbvio e as entrelinhas, a presença e a ausência.
 
Estamos tão orientados para o “ver”, para o “ter”, para a substância,
que nem sempre abrimos os olhos para perceber o conteúdo da ausência.
Quem poderia ignorar os buracos negros?
Seriam eles nada? Sim, o nada que é tudo.
Como o zero em aritmética.
 
O zero é mais que um número.
Zero é forma eterna, círculo sem fim, aliança.
É ausência de entidade e fonte de promessas.
Como o silêncio é a fonte e a condição do som,
o vazio é um vácuo vivo necessário para que haja a existência.
O consciência desse “nada”, amplia de maneira mágica a capacidade de pensar e concretiza o assombroso paradoxo de que o nada é realmente alguma coisa,
ocupa espaço e contém poder.

E como tem poder o número de Plutão!
Um zero à direita multiplica por dez seu parceiro.
Assim é o coringa da vida lúdica.
Aparentemente vazio e imprestável, transforma o um em um milhão.
Grandes e incompreensíveis acontecimentos nascem no segredo, na escuridão do nada que existiu primeiro, no mistério do zero.

A Serpente do Universo morde a própria cauda e une o ponto original com o infinito.
O início encontra o fim e o alfa encontra o ômega.
Nesta realidade impalpável, temos um mistério divino.
Depois da volta completa...
Em algum lugar entre o tudo e o nada, a verdade é vista com outros olhos.
Olhos bons para a arte.
 
O um é individual
O um inverso é o zero
O Zero é um inverso
O Zero é universal
Universo em desencanto...

17 janeiro 2007

Quatro Elementos


Terra
Mãe, Mater... Matéria. Segurança e fertilidade, entranhas e escuridão.
O ventre da natureza gera o corpo, forma o túmulo e perpetua a criação.

Água
Na sutileza da lágrima e na magnitude do mar,
o azul da água é o tom do sentimento mais profundo e subliminar...

Ar
Discreto, porém vital, o Ar é invisível e onipresente.
Propaga o som, oxigena o cérebro e
cria linhas geométricas de força que atuam pela mente.

Fogo
O elemento das contradições não revela sua origem,
muito menos seu destino no brilho que traz,
mas se torna inesquecível por ser tão perfeito e tão fugaz.