02 Janeiro 2012

Então... 2012



Nunca foram feitas tantas previsões quanto as que pressagiam o ano de 2012. A maioria delas, catastróficas e implacáveis. Mas... O que estaria por trás de todas elas? Existe uma verdade razoável além de tantas cogitações?

Como o tema dos mistérios ao redor desta data é ancestral, há quem já se interessa, lê e pesquisa sobre a primavera solar de 2012 desde muito tempo, mas como se sabe, a revelação nunca esteve tão próxima.

Quem pouco se informou ou baseou seus conhecimentos em teorias hollywoodianas megalomaníacas de maremotos e abduções, talvez espere somente um apocalipse sensacionalista e inigualável, mas neste caso, ainda há tempo de clarificar os equívocos e tentar entender melhor o que tantas culturas estudam há milênios, em diferentes linguagens e interpretações.

Quem saberá exatamente o que os antigos tentavam nos dizer em suas profecias? O que eles nos deixaram foram, principalmente, imagens e metáforas. Sábios que eram, tiraram proveito da linguagem atemporal e universal, os símbolos. Os maias e os egípcios criaram verdadeiros best sellers culturais sobre o fim deste milênio como o conhecemos.

A história de Sirius B e o alinhamento das pirâmides com a constelação das Plêiades, por exemplo, fazem dos egípcios verdadeiros observadores do céu estrelado, enquanto o Tzolkin, o famoso calendário, demonstra que os maias foram os maiores astrólogos de todas as civilizações conhecidas. Em sua época eles já diziam que 2012 seria um ano especial. Desde então, milhares de elucubrações começaram a surgir e a se proliferar.




Se tentarmos unir todas elas em um ponto em comum, chegamos ao período astrológico conhecido como Equinócio Solar. Assim como a Terra se alterna entre quatro estações enquanto cumpre sua translação ao redor do Sol, também este possui as suas estações, pois cumpre sua própria translação ao redor de uma estrela muito maior. Enquanto nosso planeta leva 365 dias para concluir sua volta completa, o Astro Rei demora significativos 26.000 anos para concluir seu ciclo.


Dentro deste período, formam-se as “estações” solares e as Eras astrológicas. Em 2012 nos despedimos do Inverno Solar e entramos na Primavera Solar. Esta é a explicação astrológica para os presságios do ano vindouro. A grande estrela de nossa Via Láctea completa um ciclo milenar jamais presenciado pela nossa espécie, no dia 21 de dezembro de 2012 d.C.
Assim como a chegada da estação das flores na terra traz energias sublimes de renascimento, a primavera do Sol é antes de tudo, uma fase sutil de amanhecer de uma nova era. Se não for tão sutil, teremos de superá-la da mesma forma, pois alguns de nós, aqui ainda estaremos. Como a força do Sol gera campos magnéticos e sua energia se ampliará com essa aproximação ao cinturão de fótons da Grande Estrela, podem ocorrer algumas alterações em nosso habitat natural e paralelamente, em nossa consciência.

Como sabemos, nossa espécie e civilização foram formadas com bases no eletromagnetismo, a própria energia do Sol. A força eletromagnética tem a ver com quase todos os fenômenos físicos que se encontram em nosso cotidiano, já que os próprios átomos se interagem por esta força. Ela também interfere nas relações moleculares, logo, podemos incluir também os fenômenos químicos e biológicos no hall dos influenciados pelo eletromagnetismo.

Como conseqüências deste trabalho acelerado da energia solar que emitirá “tsunamis” de radiação, dizem que o nível do mar pode subir demais, devido ao aquecimento intenso das calotas polares; que as comunicações podem entrar em colapso, principalmente as que ocorrem por meios elétricos (internet, televisão, telefones, satélites e GPS`s por exemplo) e que antigos vulcões adormecidos podem entrar em erupção. Quanto a esta última hipótese, existe um desses gigantes nos EUA que está em silêncio há 640 mil anos, mas que tem como ciclo de despertar a média de 600 a 700 mil anos. Sua erupção eminente poderá ser tão magnífica que destruirá grande parte do continente.

A inversão dos pólos magnéticos do planeta também está em questão e qualquer uma dessas possibilidades é razoavelmente verossímil dentro de suas explicações. No entanto, por detrás de tantos fenômenos naturais, existem explicações mais sutis, que fazem as leituras desta data com mais considerações energéticas, sociais e psicológicas. Todas elas aconselham paz interior, consciência tranqüila, calma e tranqüilidade. Todas elas apontam para um renascimento energético e uma nova era no planeta.

Se simplesmente observarmos os acontecimentos dos últimos anos, percebemos que os cataclismos já começaram a acontecer e que é só uma questão de tempo para que outros ainda mais devastadores ocorram. Principalmente se não mudarmos a maneira com que lidamos com nossos recursos naturais e com o significado da vida na Terra.
 

 Enquanto nos aproximamos da Grande Estrela de quinta dimensão ao redor da qual o Sol transita, todas as moléculas e átomos de nosso planeta passam por uma transformação, pois estamos sendo bombardeados por energias cósmicas que visam sutilizar a nossa matéria por meio da luz, do espírito e do mundo etérico. Através de ajustes moleculares e expansão da consciência, atravessaremos lentamente a terceira dimensão (a dimensão física) e entraremos mais profundamente na quarta dimensão (a dimensão emocional, onde as auras circundam e onde são gerados os acontecimentos que se materializarão na terceira dimensão). Quando a matéria começa a entender que não existe tempo e nem espaço, somente o aqui e o agora, ela vibra na quarta dimensão.


Telepatia, intuição, visões e sonhos proféticos já acontecem na vida daqueles que de certa forma vivem suas potencialidades ocultas e espirituais. As percepções extra-sensoriais estão em sintonia com a harmonia do sistema solar e com a música das esferas do universo e enquanto realizamos esta mudança de dimensão, podemos e devemos nos tornar mais conscientes dessas habilidades.

Para os estudiosos mais espiritualistas, tudo que pode acontecer no planeta como fenômeno físico será uma conseqüência do nosso nível de evolução e nosso grau de pureza e sabedoria. Temos cuidado no planeta que é nosso lar? Existe uma conexão íntima e profunda da nossa psique e da nossa alma com a natureza e o cosmos e como somente essa consciência poderá nos redimir no futuro é para isso que estamos sendo preparados.



 A Lua será a regente do ano de 2012 e devido à força gravitacional que exerce sobre a Terra, atua sobre o fluxo e refluxo dos líquidos e das águas existentes sobre nosso planeta. Como senhora dos oceanos e do inconsciente coletivo, sacudirá as ondas emocionais internas, pois também regula as marés humanas. A sensibilidade, os instintos, as reações e as flutuações de humor das pessoas estão todos conectados com as fases da Lua. A intuição estará mais aguçada naqueles que estão mais conectados com as sutilezas e mistérios da mente humana. Por outro lado, águas paradas correm no fundo e os medos e paixões irracionais estarão à flor da pele, aguçando fanatismos e reações desproporcionais nas grandes massas. Poderemos alterar nossa realidade e nossa composição molecular pelo poder do pensamento, mas... Essa alquimia interna será reconhecida pela maioria de nós?


Sua regência também voltará a nossa atenção para as mulheres e para todos os temas femininos como: maternidade, fertilidade, inteligência emocional e natureza. A Terra não é somente um ser vivo, ela é um ser feminino. As transformações econômicas, políticas e sociais continuam a tomar força e as manifestações populares pela ecologia, pela proteção dos direitos dos animais e pelo desenvolvimento sustentável do planeta ganharão uma força inédita e impressionante.

A Lua nos lembra que o planeta Terra é como uma mãe para nós, mas a Nova Era de consciência pode nos revelar que o nosso espírito possui raízes cósmicas, um legado de nossos antepassados desconhecidos de dimensões superiores. A quarta dimensão não é física, é emocional. Estamos cientes dos poderes de nossas emoções mais arraigadas e inconscientes?

O mais importante é desmistificar as profecias catastróficas e compreendermos que nosso planeta vive as contrações de um parto. Como todo nascimento, existe uma preparação, mudanças vibracionais, dores, sacrifícios, cuidados e então, o rompimento das águas e a nova vida.

Vivemos em um planeta que está passando por um surpreendente processo de renascimento enquanto o Sol também se aproxima de uma renovação energética. Como não estaremos, nós mesmos, sendo transformados de alguma forma? Diferentes níveis da verdade estão vindo à tona e cabe a nós assimilarmos a maior quantidade de sabedoria e autoconhecimento possível.

Para este período de magnânimas transmutações, estar em tranqüilidade e paz interior é o mais aconselhável. Devemos evitar a histeria social e as multidões. Podemos esperar por possíveis falhas eletrônicas, aumento da percepção do mundo sutil e purificações energéticas em nosso organismo, mas sem ansiedade ou desespero. Para nós aqui no Brasil será fácil manter certa distância de vulcões, mas também podemos evitar as cidades com incidência de terremotos. Quem saberá realmente o que os antigos estudiosos tanto valorizavam nesta data?

Esperamos um alvorecer na galáxia. E como todo regresso da luz solar, este sucede a um crepúsculo trazendo energia vital e recomeço. É um equinócio que vem chegando. Suas mudanças já começaram a se manifestar e continuarão depois da data marcada. Quem espera pelo fim do mundo, talvez o vivencie. Quem estiver equilibrado em sua consciência, poderá perceber uma oportunidade de se readaptar a novos parâmetros, de se abrir a um novo conceito de espiritualidade e de se alinhar com a vida em evolução no planeta Terra e porque não, também além dele?




01 Julho 2011

Quanto mais PSICOLOGIA, menos PRECONCEITO.



A psicologia humaniza. Entender melhor o ser humano aprimora e liberta. No entanto, a compreensão é uma daquelas virtudes ambíguas em que nos perguntamos se vale mesmo a pena adquirir. Assim como o caráter, ela aparentemente torna a vida mais ingrata. Quanto mais aperfeiçoamos essa qualidade, mais pontos podemos perder na escala da adaptação social. Afinal, empatia requer alguns golpes no ego e esse modelito de vida não combina com o glamour do mundo da auto-afirmação.

É próprio da psicologia o ato de viajar no interior alheio. Sem uma boa visão do outro, como compreendê-lo? Porém a psicologia científica atual, aliada a teorias, preceitos e dogmas acadêmicos, nem sempre funciona 100% na prática. Sabe-se que um bom curador da alma, e isso vêm desde os tempos imemoriais dos xamãs, é aquele que já passou por situações de autoconhecimento e superações, pois nem mesmo um doutorado em teoria se equipara a experienciar na própria pele os dramas da existência humana e sobreviver. Ser empático é ser inteligente enquanto ser preconceituoso é atestado de mentalidade inferior.

Porém, essa virtude ambígua que sai cara no orçamento da vida real - com todas as suas condições implacáveis de sobrevivência - tem a seu favor a característica de ser persistente e incurável. Quem tem realmente desejo de conhecer melhor a espécie humana se vê obrigado a despir-se de preconceitos, cedo ou tarde. É imprescindível ser maleável, flexível, tolerante e moderno. Na verdade, há que ser inclusive, aparentemente, rebelde.

Por exemplo, uma das máximas psicológicas é que o que odiamos no outro pode ser um aspecto inconsciente de nós mesmos. Só isso já é um jab direto no ego. Quem estará disposto a aceitar essa realidade? Se eu disser aos agressores de homossexuais que no fundo, o que eles não suportam pode ser um indício de desejo reprimido, eles então passarão a agredir a si mesmos? Ou seja... É bem mais fácil e conveniente agredir o outro.

Então, partindo dessa premissa básica de que o ódio e a aversão são compensações inconscientes, nada como a aceitação natural e sem preconceitos para garantir um exemplo sano de imparcialidade. Como aquele homem maduro e consciente de sua heterosexualidade que se permite ter amigos gays e conviver perfeitamente com eles sem se sentir ameaçado em sua masculinidade.

Muitas vezes o julgamento sobre o outro também vem de uma carga social que a pessoa carrega até sem perceber. Como um machismo ancestral que não foi capaz de diferenciar, assimilou e reflete em atitudes diversas (enquanto acha que está arrasando). Para se sentir integrada na sociedade, ela concorda com a maioria. Inércia? Não seguir essas tendências de preconceitos é pecado e crime inafiançável. A necessidade de aprovação social, de exibir uma persona irreprimível e sem máculas é uma obrigação titânica. Sair dessa identificação em busca do verdadeiro eu é tarefa de herói.

Como senti desde cedo essa vontade de conhecer melhor a psique humana, precocemente fui cobaia de mim mesma. E foram tantos golpes no ego, tantas crises pessoais, tantos questionamentos profundos e tanta auto-exigência, que eu fiquei liberal demais. Com isso, cada dia mais excêntrica aos olhos alheios. Na adolescência até tiramos sarro com os caretas e nos sentimos bem em ser agressivos com nossa verdade como arma contra a ignorância predominante. Mas chega uma hora em que só queremos... Ser. Mas todos que não têm a mente livre, precisam atrapalhar e destruir a liberdade alheia, é impressionante.

Eu gosto de gente educada, sincera e liberta. Não me importa a sexualidade, a conta bancária, a “procedência”, nem muito menos o currículo de bons modos. Fico claustrofóbica é com restrições. O que me incomoda é gente com contração de esfíncter e necessidade de controle refletindo os próprios temores e inseguranças. Gosto de gente tatuada, gente que fuma ervas, gente que fala palavrão e quando bebe cai no chão. Mas também admiro gente religiosa que não tenta te converter e mais ainda gente que tem o coração bom, a alma evoluída e nem precisa de igreja. Adoro gente que consegue ir além da necessidade de aprovação e dar um golpe na expectativa alheia. Não por simples rebeldia, mas pelo ato heróico de bancar a própria personalidade, em sua plenitude. Gente que é.

Adoro o Foda-se mode on.
E com isso já me acostumei com tudo que por ventura possam pensar a meu respeito. Pois claro, devo compartilhar dos hábitos de todos que me relaciono, infalível e obrigatoriamente. O passatempo preferido dos infelizes que querem parecer felizes é julgar. Mas a psicologia também já me explicou que é o recalcado o primeiro a condenar... Ele precisa cortar cabeças para se sentir mais alto.

Sorrio em silêncio.

Eu até que gostaria de voltar a ser um espécime normal, identificado com a maioria e com a incrível sensação de pertencimento a algo, mas não há volta no caminho da destruição de projeções. Cada máscara arrancada é um degrau a menos no hight society das aparências. Cada muleta adaptativa que recusamos nos faz, aparentemente, mancos e aleijados para a corrida do status quo dos indefectíveis. E a cada "não, obrigada, isso serve para você mas não para mim", mais dedinhos apontados e comentários à meia boca somos obrigados a aguentar.

Mas quando a inveja da grama do vizinho ameaça bater à porta e sentimentos de ingratidão em relação à postura assumida  chegam para aterrorizar, pela janela a consciência vem lembrar quem escolheu o desafio de andar sobre os próprios pés e agora deve pagar o preço do aprendizado. Aceito e quero honrar meus compromissos, enquanto alguma voz além sussurra lá do fundo que não foi muito bem uma escolha e então sou obrigada a concordar absolutamente. Trata-se de uma pulsão a ser lapidada.

E assim a psicologia me forjou: Não suporto caretinhas, carolinhas e cacetinhas. Tenho trauma de machistas, preguiça de futilidade sem fim e principalmente pena profunda de pessoas que agridem o diferente. Preconceito é involução. Às vezes até trato bem, guardo minhas impressões para mim. Saio muda como entrei. Sou introvertida e não pretendo mais reformar o mundo. Cumpro minha missão cuidando de mim.

Adoro minhas amigas que namoram outras amigas. Tenho amigos gordos, magros, cabeludos, mauricinhos, feios e bonitos. Uma tia que vê gnomos, amigas que trabalham com a pomba gira, outras que já fizeram aborto e outras tantas que trocam de parceiros como quem troca de penteado. Várias delas não querem nem saber de macho pra pagar as contas e outras tantas estão muito bem casadas e continuam espontâneas e cheias de vida. Tenho uma grande amiga de sessenta anos que anda de moto e vários amiguinhos de infância lindos e livres graças à liberdade de expressão que os pais inteligentes e super relax concedem. Gente desbocada, gente tímida, peruas maravilhosas no dourado, pequenos príncipes da educação, madames e bruxas, punks e gentlemans, senhores inteligentes... Pessoas de todos os tipos, mas com algo em comum.

São pessoas que desenvolveram a virtude da compreensão e assumiram um compromisso com o verbo Ser. Criaturas autênticas que por terem vencido tabus para terem sua própria vida, não envenenaram de rancor e inveja a vida alheia.

Meus heróis.


"Um homem saudável não tortura os outros. Em geral, é o torturado que se torna o torturador."

"O sapato que se ajusta a um homem aperta o outro;
não há nada para a vida que funcione em todos os casos."

Carl Jung

21 Junho 2011

O solstício do menino João



Adoro solstícios e equinócios. Entradas de estações, mudanças de signos cardeais e todo um reflexo encantador no clima e na natureza. Efeitos que nós humanos, a cada dia estamos mais distantes de perceber.
Para nossa evolução que segue invertida em seus valores, datas importantes e inesquecíveis são aquelas em que comemos muito e gastamos mais ainda.
Nem é minha intenção questionar a maravilha que é um banquete seguido de presentes... Mas é no mínimo muito infeliz que o sentido original das celebrações e rituais da natureza tenha ganhado uma aura tão desencantada.

É bastante curioso, para não dizer tragicômico, reparar nas festas de comemoração mundial e perceber que em sua grande maioria, o seu contexto original se baseava em dias em que a natureza e os planetas se correlacionavam de forma importante, principalmente em relação à trajetória solar. Com a super propagação do cristianismo, a igreja mafiosamente preferiu não se opor diretamente à continuidade dessas práticas, mas obviamente elas receberam vários significados adicionais, todos eles devidamente ilustrados com as temáticas cristãs. Ao se apossarem do calendário e lhe enfiarem novas roupagens de acordo com seus interesses, foram fabricando novos símbolos e conquistando milhões de novos adeptos para eles.

Essa manipulação é de domínio público, ou pelo menos deveria ser, mas a falta de consulta à história se encarregou de apagar essa verdade tão dolorosa aos fiéis da nova ordem mundial. Mas eu adoro história, principalmente os registros a.C. Talvez por isso me divirta tanto com os solstícios e equinócios, observando como hoje são vivenciados pelo coletivo.

Isso não quer dizer que eu me recuse a participar ou que seja fundamentalista ao ponto de boicotar todas as festas culturais que restam à humanidade. Me interessa mais que nada, estar consciente de seu significado original, este que se apaga cada vez mais. Já me sinto satisfeita em conhecê-lo, admirá-lo e cultuá-lo. Se não participativamente no mundo da maioria, desde meu silencioso conhecimento arcaico e de minha antiga alminha pagã.

As festas juninas são uma maravilha de retalhos simbólicos. No princípio quando era o Verbo, também era o solstício de câncer, a chegada do verão no hemisfério norte e uma celebração mais conhecida como LITHA. A primavera se despedia e o Sol voltava a brilhar mais forte, poderoso em seu zênite, anunciando a nova estação no dia mais longo do ano. Trata-se de um dos rituais mais importantes dentro do ciclo anual desde o período neolítico, de um culto ao deus Sol de caráter universal e atemporal.

Os pagãos (que significa "habitantes do campo") profundamente conectados com as mudanças climáticas e cíclicas da natureza e mais ainda com sua participação nessa unidade simbiótica com o planeta, festejavam o retorno do Sol com fogueiras, cores vivas, música e comidas.
E assim - após uma reciclagem digamos, cristiana - com esses mesmos materiais básicos, hoje em dia se comemora São Pedro, Santo Antonio e São João. Temos então os três santos do forró e as festas de junho ou juninas.

No Brasil, enquanto quintal e depósito de Portugal, a assimilação foi plena e a população sertaneja foi o terreno perfeito para sua sincretização com as temáticas rurais. Dos jesuítas, direto para o Nordeste, a moda pegou geral. Verão por lá, inverno aqui, não importa. Bora pular fogueira iaiá!

As fogueiras e as fitas coloridas se juntaram às roupas caipiras, às quadrilhas, às comidas típicas e hoje ninguém dispensa um quentão com canjica num arraiá mais próximo. E porque deveria? Todos nós temos lembranças divertidas de alguma época em que nos vestimos com roupas xadrez, chapéus de palha e sentimos aquele cheiro de pólvora tão típico do mês de junho...

Se aproxima o dia de São João, o priminho mais velho de Jesus, também conhecido como o "santo festeiro". Se ele realmente nasceu dia 24 de junho, foi um lindo e meigo canceriano. Que sorte a dele, pois seu aniversário hoje é celebrado mundialmente, pegando carona na antiga festa pagã do solstício de verão. Tudo a ver para quem foi o “precurssor da luz no mundo”.

Dizem que quando ele nasceu sua mãe acendeu uma fogueira e no mastro colocou um boneco para que Maria, a mãe de Jesus, soubesse de sua chegada. Também existe em sua história, uma explicação para os fogos de artifício... Interessante, no entanto, foi o artifício de roubar os símbolos da história que vinha antes.

Mas é interessante notar que todos esses símbolos passam por releituras, mas são potentes o suficiente para jamais serem manipuláveis, ainda que por instituições poderosas que tiram proveito do grande poder do inconsciente coletivo. Sua capacidade de manifestação e sua amplitude de interpretações são tão surpreendentes que só mesmo as mentes mais abertas à pluralidade podem dimensionar sua capacidade de seguirem vivos e atuantes no imaginário da espécie humana.

Aí estão as festas juninas abrindo com seus rituais de alegria, festança, comidas e casórios a chegada da nova estação, enquanto a temática canceriana está mais viva que nunca.

Conectados com as raízes, com o passado mais simples e acolhedor, com as origens no campo, estamos automaticamente celebrando símbolos lunares. A boa comida, em pratos típicos que lembram a cozinha da vovó, sempre com algum doce famoso da época, reflete a nutrição, tanto física quanto a emocional tão típica do simbolismo do caranguejo. E as crianças, que sem dúvida são as que mais se divertem, pois a festa é para elas. São elas que atraem os adultos, para uma festa tipicamente familiar, onde as gerações se divertem juntas e reforçam seus laços afetivos e a sensação de proximidade e descendência.

Está tudo aí, em releituras, mas completamente presente.
Quase posso ver o menino João e seu olhar carinhoso, observando tudo lá de cima das fogueiras, perto das estrelas e da Lua Cheia. Quem sabe, com algum adorável filhote nas mãos, símbolo do cordeiro de deus, mas muito antes, da vida nova, do renascimento do Sol e do infalível e abrangente instinto maternal do signo da Grande Mãe...

22 Março 2011

A eterna criança Áries


Arianos de Sol, Lua, Ascendente, Marte em evidência...
Todos têm um destino básico a seguir:
A corrida rumo à conquista.
Seja ela qual for.

Áries é o primeiro dos signos, o que abre o calendário astrológico, o que anuncia novos tempos. Como a primavera, rompe velhas energias invernais a fim de provocar renascimento e fertilidade.
É o recém nascido cósmico que já chega gritando e avisando que veio para causar. Eis porque ele sempre olha para o futuro com esperanças e desejo de sorver a vida gulosa e deliciosamente.
Independente da idade real, os carneirinhos do zodíaco têm a consciência de uma criança e para eles, conhecer e experimentar é sempre um prazer. Aventura e novidades, uma necessidade.
Sendo assim tão infantis em seu espírito, todas as características de um bebê serão símbolos do caráter ariano. A mais notável a primeira vista sem dúvidas, além dos berros insuportáveis quando querem algo, é a inocência.


Áries acredita sempre.
Deposita esperanças, espera o melhor até que lhe provem o contrário. São a priori, almas puras, e mesmo sentindo na pele, incansáveis vezes, quão sórdida pode ser uma criatura humana nesse planeta, nunca perde de vista a tal luz no fim do túnel e sempre volta a acreditar uma vez mais em sua espécie. Por isso, é tão comum ver arianos contando com o melhor das pessoas, às vezes talvez, até exigindo demais.
No entanto, a recíproca é verdadeira e se você esperar o melhor dele, e confiar em sua natureza sincera e solar, dificilmente ele te decepcionará.
Como a carta zero do tarot, O louco (The Fool), pode ser bastante ingênuo, mas não quer dizer que seja tolo, apenas que olha o mundo com uma esperança prévia de que tudo serão flores, como a primavera que lhe representa. São otimistas por natureza.
Pode não ser naturalmente astuto, mas vai aprendendo com o tempo e com as decepções que ser boa fé e confiar em todo ser humano indiscriminadamente pode ser bastante frustrante.
Pelo menos sempre superam as quedas cheios de disposição, afinal, crianças estão em constante aprendizado, caindo e levantando, conhecendo o mundo que existe mais além dos seus olhos sonhadores.


Crianças também são brutalmente sinceras.
Ainda imaculadas dos artifícios de manipulação, chegam a constranger quando falam o que pensam. Não seria diferente com os carneiros, doutores em bater uma real.
O primeiro dos signos de fogo expressa a capacidade espontânea e agressiva do elemento. É como se toda a energia da personalidade se concentrasse na expressão direta e clara, sem demais delongas e subterfúgios.
O ariano despreza questões irrelevantes e sempre vai direto ao cerne de uma situação. Justamente por ser tão simplório, não espere dele, sórdidas manipulações e muito menos repressão de sentimentos seguida de ruminação raivosa silenciosa.
Ele pode ser até overdose na franqueza, mas jamais irá depurar veneno nas suas costas, enquanto sorri singelo e afetuoso.
Se ama, faz saber. Se odeia, mais ainda.


É certo que em um mundo dissimulado e cheio de camadas, esses filhos de Marte, sempre serão considerados grossos, sem tato, exagerados, punk metal. Bem, muitas vezes são mesmo.
Em geral eles sabem disso... E adoram.
Arianos não fazem questão de agradar se for à custa de suas verdades.
Querem ser amados pelo que são, pois o que eles próprios mais amam no mundo, são pessoas como eles: sinceras, cheias de amor-próprio e com muita atitude.


Eles tocam o terror, mas não guardam rancor.
Quem souber reconhecer que na verdade são extremamente francos e não suportam hipocrisia, conhecerá o poder de um relacionamento sem aquelas correntes subliminares de dúvidas, recalques e ruminações. Quando todas as cartas estão sobre a mesa, a confiança mútua floresce e tudo fica mais leve. Crianças não são assim? Voluntariosas, estimulantes, corajosas e transparentes?

Um ariano covarde e dissimulado é alguém que foi registrado no dia errado. Ou então, é alguém tão inconsciente de sua verdadeira natureza que pode sofrer de crise de identidade e de complexos extremamente patológicos. Perdidos em si mesmos, devem padecer de terríveis dores de cabeça e invejar o próprio Sol...


Cazuza e Renato Russo, por exemplo, foram arianos standard. Ambos questionadores do status-quo . Escancarados e provocadores, deixaram em suas músicas a pura poesia da alma áries declarada. Em todas as suas letras podemos encontrar o manual de instruções do primeiro signo. Foram carismáticos, rebeldes, excessivos, apaixonados e infelizmente, golpeados duramente por sua própria falta de limites. Foram heróis e morreram cedo, consumidos por sua intensidade.


O Sol, estrela magnânima que em áries se exalta e manifesta todo seu significado potencial, representa em sua plenitude a personalidade desses nativos: clara, iluminada, penetrante, consciente, calorosa e imponente. Em excesso, queima e irrita. Entra em combustão. Atributos solares sempre estarão presentes na personalidade ariana, tanto em qualidades, como em defeitos.


O astro-rei também é símbolo da consciência e do ego. A luz solar representa o brilho do autoconhecimento, com isso, a identidade e o carisma são noções básicas que o indivíduo reconhece em si mesmo. Inclusive é famosa a vaidade ariana. É super natural que os carneiros se amem e tenham uma boa relação com eles próprios. Se sentem como canais de vida por onde a energia solar se expressa e buscam um estilo diferenciado para desfilarem autênticos.


Muito além de simples auto-afirmação, o que acontece é uma real percepção de seu poder de ser e de atuar. São destemidos e adoram enfrentar desafios. Sentem que são quase imortais, que o mundo é pouco para eles e que vieram aqui para reformar o que não está certo. Com esse caráter idealista e combativo, não sobra realmente muito espaço para a humildade.
Por isso, o pecado do egoísmo está sempre rondando sua aura exuberante. Sabemos que a primeira palavra que a criança repete incansavelmente é eu, eu, eu. Ela é o centro do seu universo e fará tudo para saciar suas necessidades básicas.

Se por um lado existe o risco do ariano se tornar insuportável por não ver mais nada além de seu empolgado umbigo, por outro é um dos signos que mais desperta a inveja ao seu redor. Tanta autoconfiança incomodará por demais aos menos favorecidos, infelizes consigo mesmos, afinal, as pessoas têm o direito de serem medíocres, não é mesmo? Não as de fogo.


O elemento fogo quando aceso já mostra sua natureza magnânima e quente sem fazer esforço e como a luz, atrai as mariposas. No entanto, não há como exigir que uma chama seja discreta.

Arianos sabem disso e não sentem necessidade de diminuir ninguém. São generosos nesse sentido, pois estão satisfeitos com sua pessoa e adoram manifestações acaloradas de idéias e criatividade fluindo coletivamente. Em contrapartida sempre encontram pessoas que consciente e até inconscientemente se sentem na obrigação de apagar o fogo alheio. Jogam terra, água, assopram...


Conflitos existem e sempre que tenha um inimigo honesto, o duelo será justo, equilibrado e até uma derrota honrosa ele é capaz de aceitar (mesmo que jamais admita, claro). O que derruba um ariano por nocaute é o tiro pelas costas. Energias veladas e traição são sua kriptonita.
Portanto é necessário que aprendam sobre sutilezas, mensagens subliminares e energias reprimidas exalando enxofre para se defenderem melhor dos vampiros de plantão, sedentos por um sanguinho Reserva Especial.


Dizem que Buda era um iluminado do signo de áries. Pensa o nível de evolução da criatura... Como o mestre oriental, todo ariano deve aprender características de seu signo oposto, libra, para ser pleno e equilibrado em sua totalidade.
Se conseguirem demonstrar mais calma e menos desespero, aprenderem a escutar com interesse, a considerar o outro, serem gentis e também a se desculpar às vezes, serão os verdadeiros líderes carneiros no planeta terra.
Também devem aprender qualidades de Saturno, como a disciplina e a paciência. Trabalhando essas virtudes complementares, se transformarão no que realmente mais lhes importa: Em seres livres, realizados e muito mais queridos e amados.


Pois é... Alguém poderia imaginar que os durões do zodíaco são completamente susceptíveis às pessoas que eles querem bem?
Alguém acreditaria na faceta ultra-romântica do signo da guerra?
Os que os conhecem bem, sim. E qual é o signo que representa os sonhadores cavaleiros românticos medievais? Qual é o signo da estação das flores, onde a natureza se faz fértil e amorosa para que as criaturas se unam em abraços intermináveis? Qual o signo do vermelho, fogo e paixão? (Wando é libriano, não se preocupem arianos)
Se eles gritam, brigam, chingam e batem as portas, não quer dizer que eles não amem. Já parou pra pensar que pode ser porque eles amam demais?

Brigid Ashwood 
Áries é um signo bastante paradoxal e intenso. Com índole impetuosa e sangue quente correndo nas veias, essa pessoa ama e odeia em frações de segundo. Não suporta que grudem no seu pé, mas perde o interesse se não recebe nenhuma atenção. Morde e assopra. Adora manifestações sinceras de afeto, mas seja piegas e o perca para sempre. Negará até a morte que seja ciumento, mas já hostilizou muita gente que se meteu com sua paixão do momento.


Muitas vezes não demonstra o que sente por orgulho, mas em uma recaída pode te atacar ferozmente sem nenhum pudor. Acredita facilmente no que escuta, mas se for enganado, é implacável no “adeus”.
Acha que ama, acha que odeia, tudo é tão forte, se embriaga de sentimentos e então... Esquece. Agora só sente amor próprio e a vida continua.
Amor e guerra não são opostos dentro dele, são digamos... um casal em eternos tapas e beijos. E é justamente sua necessidade de relacionamentos que aplaca sua agressividade nata.


São bichinhos birrentos, apelões e eternamente dramáticos. Quebram seus brinquedinhos, tentam te bater e gritam: Não, Não e Não! Logo as crises passam, rápidas como sua raiva, e pelo menos eles, já se esqueceram de todas as pragas proferidas ao vento e só têm amor para dar.
Existem alguns mais temperados e tímidos, mas cedo ou tarde o vulcão entra em erupção, não duvide.


Como Marte é instinto puro, intuição e álcool forte, são viciados no poder do primeiro impacto. Sabem que a maioria das vezes o que não lhe “balançou” de primeira, não terá muitas chances de agradar na segunda. Não é uma regra, e podem sim ser conquistados, mas o frisson de um “à primeira vista” pode persegui-lo por muito tempo. Sente instintivamente o potencial das coisas e assim toma suas decisões e também se apaixona.


Arianos são considerados fodões. Muitos adotam uma postura de implacáveis e realmente o são. O mau-gênio ariano tem fama além de Plutão e até as fêmeas da espécie às vezes exalam uma aura de dama de ferro, “jamais sentirei fome novamente”. Mas se reparar bem, seus olhinhos infantis brilham demais para enganar completamente o bom observador.
Mas alguém já parou para pensar, por quê?
A imagem do carneiro que o representa explica bem.




Branco, felpudo e dócil, animal do sacrifício, o cordeiro de deus que tira o pecado do mundo simboliza a pureza e a ternura. No cristianismo se tornou um símbolo do filho de Deus. Já em sua versão com chifres longos e curvilíneos é um potente símbolo pagão de virilidade e uma investida desse animal não é nada nada digamos, cristã.

Também muito representativo é o aríete, do latim arìes, carneiro.
Essa clássica arma medieval demonstra o poder decidido de uma cabeça ariana quando quer abrir caminho sobre as obsoletas tradições. Arremete contra os obstáculos às marradas e arromba as estruturas, afinal, o novo precisa chegar. “O tempo não pára”.




Assim, arianos são esse paradoxo unificado.
Meigos, simplórios e apaixonados, mas não se atrevam a pisar no seu calinho nem a subestimar seu caráter. A capacidade de reação indignada de um carneiro é de tremer terra, sabem bem os que têm um por perto.
Além de equilibrar esse perfil belicoso com a sensibilidade emocional de um coração super romântico, eles terão que balancear o instinto puro que o planeta vermelho representa, com uma mente bastante poderosa, afinal de contas é a cabeça, além dos músculos e hemácias, a principal parte do corpo regida por esse signo.

Marte é o arquétipo da ação e da força. A personificação do instinto de sobrevivência e do vigor físico. Representa a libido, a energia vital.
Quando influencia fortemente a pessoa, gera um “combustível” fora do comum. Em seu estado puro essa potência pode explodir repentinamente e se dispersar sem rumo. Mas se aliada a um objetivo específico e à vontade consciente, fluirá abalando e vibrando sem freio, conquistando tudo que for desejo. É o diamante bruto da natureza. Lapidá-lo é um trabalho para o intelecto.


Essa conexão direta com Marte garante ao ariano bons reflexos, agilidade e força física, mas também inspira a agressão impensada (tanto verbal quanto física) e ataques de fúria sem noção. No entanto, à medida que desenvolve a mente e abre espaço para que Mercúrio, seu regente esotérico, aprimore essa força primitiva, o ariano elevará esse potencial para o nível mental e poderá atingir níveis altíssimos de QI, um intelecto poderoso e muitas vezes dominador.


Os heróis e seus demônios...


Sem sentido do perigo, um tanto quanto temerários e se achando invencíveis enquanto reine a honra em seu coração, essa criança se sente e sabe que é um pequeno herói ou heroína no mundo cinza dos adultos (leia-se: chatos).
Em termos junguianos, poderíamos dizer que áries é o poder do ego individual emergindo do oceano coletivo. Do grande mar do signo de peixes, a roda zodiacal se reinicia no signo do carneiro precursor. Para afirmar sua individualidade e nova consciência, deve levantar a espada e se libertar das amarras do passado e das sombras obscuras que costumam lhe escravizar.

Arianos são bem mais felizes quando vão além de suas raízes e superam seus fortes carmas familiares, por isso é que são tão atraídos pelo mito do herói, o mais famoso dos arquétipos universais. A saga de ir além do conhecido insuficiente, lutar com dragões e demônios, assimilar novos conhecimentos e voltar modificado está no seu DNA.
Cada um encontrará uma causa pela qual lutar e defender. A sensação de insatisfação crônica será sua maior inimiga e uma vida cheia de emoção, aventuras e vitórias, seu maior sonho infantil.
O motivo de tantos desafios é o desenvolvimento de uma consciência cada vez mais clara e versada nos desafios do mundo inconsciente. Quanto maior a luz, maior a sombra e, assim como o Marte guerreiro, podem ser considerados os “matadores de demônios”.


 Na luta do ego lúcido contra os terrores regressivos do paraíso da infância o troféu é a maturidade. Enquanto o ser humano comum vive inconsciente de sua sombra e seus inimigos internos, o herói é aquele que enfrenta a si mesmo e aprende a retirar sua força do seu próprio lado obscuro, dos seus monstros interiores.

São Jorge e o dragão; Jasão e a conquista do carneiro de ouro; o Homem de Ferro e seu gênio cínico, estilo anti-herói; Siegfried, o herói invencível, a não ser se “atacado pelas costas”; Luke Skywalker e a relação com seu pai obscuro; Hobin Hood e seu idealismo socialista estilo “a burguesia fede” são apenas alguns heróis arianos por excelência.
Joseph Campbell, um herói ariano real e o maior mitólogo de todos os tempos, dedicou a vida pelo tema em livros como “Herói de mil faces, O mito do herói, O poder do mito”...


Para a psique heróica, a vida deve ser uma aventura, por isso, sem ação e entusiasmo os áries podem literalmente adoecer. Se não estão envolvidos em algo que os alimente intelectual e fisicamente, ficam aborrecidos, amargos, frustrados, depressivos e grosseiros. Precisam de uma válvula de escape para seu fogo interior ou podem literalmente, implodir.


Uma das dicas infalíveis para as crianças darem um sossego aos pais é cansá-las bastante com alguma brincadeira que inclua suor e diversão. Tudo que envolva o corpo em movimento em sintonia com a mente devidamente engajada é o elixir do bem estar para eles. Precisam sentir uma conexão entre corpo, sangue e mente para que a vitalidade flua em suas veias e se sintam vivos.
“Sempre em frente, não temos tempo a perder”... Áries não suporta ficar parado e muito menos retroceder. São espíritos inquietos por natureza e o tédio é um verdadeiro láudano para sua alma. Para frente e avante senão não há medicina que adiante.

E nessa corrida sem fim existe sim um objetivo. A independência. Áries não só gosta como precisa ter as rédeas da própria vida nas mãos. Nem sempre esta é uma conquista rápida, mas enquanto não tiver autonomia, esse ser não se sentirá satisfeito. Provavelmente, muitas das crises, dos problemas e das tristezas que sentem têm as raízes na incapacidade de seguir seus próprios passos e escrever seu destino como bem lhe aprouver. Áries não se submete jamais e se é obrigado a fazê-lo, produzirá veneno em suas veias e sua alma morrerá.

Graças ao seu desprezo pelas imposições e autoridades, o que é compreensível, pois crianças são assim, eles adoram diabruras e chamar um ariano para um mal feito é garantir a alegria do dia.
Mais uma dose? É claro que ele ta afim!
Andar em alta velocidade, fazer algo escondido, passar alguns limites, escutar música alta, burlar algumas leis, rir quando não pode, chocar a humanidade, curtir com a cara dos caretas, voar em vassouras as duas da manhã... São coisas que eles simplesmente adoram fazer. São em sua maioria politicamente incorretos, anti-sociais e adoram subverter.
Com seu talento inegável para a loucura, ao lado deles a vida jamais é monótona e normal.
Eles nos cansam sim, são impossíveis, provocadores e indomáveis. Sempre nos arrancam da tranqüilidade e despertam muitas vezes nossos desejos mais assassinos de extermínio de carneiros da face da terra. Mas se repararmos melhor... Que sem graça fica tudo sem eles.
No fundo eles movimentam e vibram o mundo material como poucos e enchem os ambientes de vida.


Guardamos mágoas de suas palavras cortantes, mas, pensando bem, é tão bom ter alguém em quem confiar plenamente. Alguém que abomine a traição porque vive no mundo ideal de honra e glória. Como o vermelho, sinalam Perigo! Mas também... Coração.
Quem não tem medo de cores fortes nem da verdade nua e crua, se envolverá.
Sairá queimado e também mais forte. Descobrirá que por trás de tantos armamentos e proteções de ferro, existe a fragilidade e o afeto em estado primitivo. Existe um potencial de amor esperando almas boas e dignas para se deixar desenvolver.

Eles não são somente os guerreiros da história. São os dragões e a própria batalha. São também, o tesouro, a criança eterna, a recompensa para quem, como eles, sempre acreditou em histórias de monstros, heróis e finais felizes.



Dedico esse texto as minhas 4 amigas Áries Lux Edition (Débora, Francesca, Monique & Scelene) que quando tudo fica sem graça, sempre me ajudam a lembrar
“como es bonito volar a las dos de la mañana”...


“Almas daqueles que amei, almas daqueles que cantei, fortaleçam-me, apóiem-me, mantenham longe de mim a mentira e os vapores corruptores do mundo, e tu, Senhor meu Deus, conceda-me a graça de criar alguns belos versos que provem a mim mesmo que não sou o último dos homens, que não sou inferior àqueles que desprezo”.

 Charles Baudelaire
Marte, Vênus, Júpiter, Saturno e Sol em áries

06 Janeiro 2011

Estava escrito enquanto escrevo



Como sempre as histórias nos fazem pensar longe...
Reproduzem símbolos da vida real e conectam sentimentos com pensamentos criando imagens e novas realidades. Inspirada por um livro da literatura popular, fiquei tempos pensando no destino do protagonista. E depois, no destino de cada um de nós e então, no meu destino também.
Será que já está tudo simplesmente escrito?

O personagem nasceu com um dom.
Em sua carne, em seu corpo e principalmente em seu sangue corria um poder especial. Ele sabia disso.
E seguindo seus instintos, guiado por sua anatomia e por sua obsessão, chegou até seu destino.
Não sem antes passar por grandes aprendizados e experiências.

No entanto, a cada passo, ele nem sequer pensava no que fazia, não questionava seus atos.
Uma força cega, maior que ele mesmo, o conduzia obstinadamente rumo à lei da sobrevivência, que para ele, significava matar sua fome insaciável de reconhecimento e adoração.
Nunca se sentiu amado de verdade.

Ele completou seu plano egoísta, se surpreendeu insatisfeito e teve um trágico final.
Sua história á fascinante justamente por isso. Não lhe foi dada a possibilidade de reflexão. Sua compulsão era tal, sua neurose era tão arraigada e sobrenatural que questionamos inclusive sua humanidade, daí a graça da história. Mas... E se ele tivesse parado para pensar na conseqüência de seus atos? E se ele tivesse feito escolhas? E se ele tivesse... Consciência?

Destino impresso, Maktub, ou “estava escrito” pode soar bem fatídico, como se o ser humano realmente não tivesse opção no caminho longo e curvilíneo da vida. E essa é uma questão profunda e complexa. Temos realmente escolha?

Pensando sobre o decorrer das histórias dos livros e das histórias reais, tento perceber até onde a consciência pode interferir no que chamamos, destino. Me vem aquela frase de caminhão na cabeça: “Você faz suas escolhas e suas escolhas fazem você”. Como a sabedoria popular guarda pérolas valiosas do saber mágico, sou inclinada a concordar.

Para mim não há dúvidas que a anatomia e a constituição psicológica, assim como fatores misteriosos que podemos chamar de “aspectos da alma”, são responsáveis por parte de um destino escrito, sim.
Como uma semente potencial que não tem como fugir de brotar o fruto que traz. Mas, se como o personagem, somos guiados apenas por eles, teremos um destino cego, categórico e inevitável.
Se ao contrário, somos capazes de ir além e fazer escolhas conscientes e virtuosas, é possível escrevermos novas linhas e roteiros.

Muitas vezes os caminhos fáceis e cegos nos confundem.
As aparências enganam, o sucesso é relativo, o mundo dá voltas estranhas...
Nunca sabemos bem o que se passa no íntimo das pessoas, mas se essas são vítimas de sua própria compulsão inconsciente, o exterior implacável é bem mais uma compensação de traumas e inseguranças que fruto do acaso. O que não foi resolvido dentro aparece fora como fato, ou melhor dizendo como fatum, a palavra para “destino” em latim.

Como uma marionete nas mãos de fantasmas internos, elas dançam, cantam, acontecem e não medem esforços para seus objetivos. Não percebem a atuação dos co-autores invisíveis que elas mesmas alimentam.
Algumas parecem brilhantes e bem sucedidas, mas não sabem sequer se livrar de sua própria alienação.

Parar tudo e olhar ao redor, olhar para dentro e perceber o livre arbítrio e seu fator sobre o destino é ser um alquimista contemporâneo. Simples, moderno, fino... No entanto, infelizmente, nada comum.
O fatalismo é só pra quem não negocia com suas vozes interiores, pra quem não sente os desígnios de uma força maior que sabe mais que nós mesmos sobre nossa verdadeira natureza.

Saber disso é não precisar mais estar identificado com as tendências, com os movimentos, com a sociedade e com os valores edificados sei lá por quem...  Pensar além dos exemplos ao redor. Conectar por feeling, desconectar por intuição. Saber o que se gosta e o que se é além do que nos ensinaram. Autonomia de princípios.
Obviamente essa ruptura com as ilusões é opcional. Existe um preço e nem todos estão dispostos (ou em condições) de pagar.

Difícil, desafiador, muitas vezes heróico, mas viver na sociedade paralela da individuação é completamente possível, quem sabe até mais fácil que se ver integrado, em comunhão, em “participação mística” como faziam os ancestrais, enquanto a alma grita inquieta lá de dentro: “somos mais que isso”!

E na terra dos independentes, pode-se encontrar várias amizades afins, cada uma no seu mundo. Várias particularidades se encontram, se misturam, sem inveja, sem medo de ser. Novas histórias são escritas. Atemporais, apócrifas, criativas, coloridas, únicas e inesquecíveis.

Sobre a história que me inspirou... Pura ficção, mas espelhada no ultra-real. Nem considero importante aqui dizer o nome, afinal de contas, novelas, romances e biografias acontecem a toda hora, e os personagens principais sempre somos nós.


20 Dezembro 2010

Una carta

Querida señora Frobe:

... No hay solución, sólo cabe tener paciencia con los opuestos, que provienen al fin y al cabo de su propia naturaleza. Usted misma es un conflicto que se enfurece en y contra sí mismo, a fin de fundir en el fuego del sufrimiento sus sustancias incompatibles, lo masculino y lo femenino, y crear así esa forma fija e inalterable que es la meta de la vida.
Todo el mundo pasa por ese trance, consciente o inconscientemente, voluntariamente o por la fuerza. Estamos crucificados entre los opuestos y librados al tormento hasta que tome forma el “tercero que concilia”. No dude de que los dos lados que alberga en su interior merecen la pena, y deje que lo que vaya a suceder suceda, sea lo que sea.
El conflicto, en apariencia insoportable, es la demonstración del valor de su vida. Una vida sin contradicción interior sólo es media vida o uma vida en el Más Álla, destinada exclusivamente a los ángeles. Pero Dios ama más a los seres humanos que a los ángeles.

Mi más cordal saludo,

C.G.Jung


20 Outubro 2010

O Útero


O peso do útero

É o peso do mundo

Recipiente que engloba

O invisível ignorado

As lágrimas não choradas

O amor não reconhecido

Os medos

E as dores não reveladas

No fundo



O útero aceita

Engole

Processa e liberta

Colheita



O útero sabe

E de saber, dói

Corta, sangra

Descabe



Quero parir a morte ancestral

Enfim

E esperar que um dia

A Lua seja serena

Novamente

Em mim

 

29 Setembro 2010

LIBRA e os Laços de Amor


Os librianos são curiosos. Quem pensa que é fácil defini-los se enganou. E quem pensa que é fácil levar na conversa essas criaturas dóceis e amorosas se enganou mais ainda.
Com delicadas mãos de ferro, os librianos são líderes e muito donos de si.


Já percebeu como gentilmente eles deixam as decisões para os outros? E quem já percebeu que eles só aceitarão a sugestão se no fundo for o que eles desejam? Muito amigavelmente eles vão conduzindo... Até seus objetivos. E nos deixam com a linda ilusão de controle. Mas eles podem. Quem consegue ser imune a tanto charme?


Librianos são solícitos e sabem escutar. Como signo da casa 7 - a das relações, sociedades e casamentos - eles reconhecem a importância do “outro” e até se definem melhor através dele. Por isso, librianos nunca podem ficar sem relacionamentos importantes por muito tempo. Mas não se enganem mais uma vez. Eles têm reais preocupações em agradar, mas são extremamente inteligentes e em questões de idéias e ideais, não mudam de lado facilmente. Nem mesmo para agradar o papa. A perspicácia libriana é forte e diante de qualquer deslize de razão alheia, sua retórica embasada aparece para fazer com que a verdade reine. Librianos são sabidos.






É interessante observar como um signo tão racional e imparcial representa dentre outras coisas, as relações afetivas. O libriano ama amar o amor, mas paixões muito loucas e profundidade emocional desregulam forte a balança que eles têm no coração. Mais que isso, o compromisso dramático prejudica sua harmonia interna. Enquanto ideal romântico, o amor eterno de almas gêmeas é o que alimenta os filhos de Vênus. E quando encontram pessoas assim, românticas, leves e inteligentes, consideram que foram agraciados.

E de verdade foram. Mas até lá... É provável que se apaixonem justamente pelas pessoas mais loucas e temperamentais das redondezas. Afinal, quem agüentaria tanto drama como um bom e tranqüilo libriano? Talvez no fundo eles tenham aquela atração inconsciente pelos opostos, aquela curiosidade por entender toda a profundidade de um sentimento visceral, mas que para eles, toma formas mais controladas e simétricas.

Quase tudo na vida de um libriano passa pela balança da proporção. Por isso são tão apaixonados pelo belo. Arte, literatura, música, beleza... E nos mais simples, pelo menos uma noção de harmonia e distinção. Quando os atributos venusianos são vividos em excesso: petulância, vaidade, orgulho, pedantismo, afetação.

Se por acaso você encontrar um libriano grosso e tosco no caminho, saiba que quem está perdido é ele. Educação e refinamento estão presentes até mesmo naqueles que não tiveram muitas oportunidades no início da vida. O senso de relações e bons tratos é nato nesses diplomatas da primavera. Mais cedo ou mais tarde, despertará ali um desejo de aprovação e uma vontade imensa de demonstrar carisma e influência.


Sempre imaginei os chefões da máfia italiana figuras  arquetipicamente capricornianas. Aquele desejo de poder material, mesclado com uma certa inadequação social saturnina mais a necessidade de controle geram ótimos Dons Corleones. Talvez daí mesmo venha o temor que inspiravam. Mas todos os chefões tinham aquela figura que “não era o dono, mas era o amigo do dono”: o conselheiro. E então, de forma indireta, esse homem inteligente e extremamente cavalheiro, se relacionava com os demais, confabulava, raciocinava e ponderava. No fim, com todo seu traquejo social e intelecto, acabava por influenciar o mais fodão das redondezas. Sempre visualizei os consiglieres como figuras librianas...
E posso garantir que é sempre bom levar em conta os conselhos desses sábios pensadores, mesmo que fazer média também seja um dos seus principais atributos.


Falando em pensar e pensamentos... É tão divertido observar como os librianos gostam de frases e aforismos! Quase sempre eles têm alguma na manga para soltar na hora certa e mais um monte anotadas e sublinhadas em algum lugar. Certa vez escutei um deles citando poeticamente essa:


“As pessoas têm que se envolver para desenvolver”. Foi como ver a astrologia brilhando plena num momento fugaz! Um libriano dizer isso é quase pleonasmo...


O que seria de libra sem o outro lado da balança? Librianos de Sol, Lua ou Ascendente tem fome forte de companhia, mas isso não quer dizer falta de exigência. O importante é encontrar, mais uma vez, a justa medida. Quando eles percebem a dinâmica do “dar e receber”, da “lei do retorno”, do “ame ao próximo como a ti mesmo”, eles vão se aproximando do que mais buscam: uma relação de troca honesta e equilibrada.


Librianos sempre oferecem romantismo, mas até onde estão oferecendo amor? Quando notam a diferença, mágicas acontecem e flores venusianas perfumam o ambiente. Que bom, pois filhos de Vênus como eles sempre são inspirados por perfumes, flores, doces e delicadezas. Até mesmo o mais “macho" dos librianos, terá relances de refinamento e algum toque feminino que não será mais que mel para as mulheres.


Interessante notar como mulheres librianas também manifestam características do sexo oposto, mostrando certo equilíbrio (mais uma vez a palavra libriana) entre o masculino e o feminino. Percebi que o intelecto tão poderoso das librianas gera um ar implacável e auto-afirmativo um pouco distante dos olhares de ressaca de Capitu e das relevâncias e compreensões da Nossa Senhora. Também nada que prejudique seu poder de sedução... A não ser que estejam tratando com aquele tipo de homem que precisa de uma dondoca dourada e plácida para projetarem sua mulher interior idealizada e fraca. Essas mulheres não. Elas são de ferro, ou melhor, de cobre!


Pensando em librianos enquanto o Sol brilha em seu signo, as imagens da união, do casamento místico, da conjunctio alquímica me vêm à mente. É tempo de sentir no ar os ventos de amor da primavera, tempo de uniões. Antes de tudo dentro de nós mesmos e depois, reflexos no exterior.




O ser (amante) humano quando conhece o outro dentro de si e aprende a amar com mais compaixão que com vontade de domínio, inicia seu caminho em direção às núpcias significativas na dimensão material. Libra, como signo que representa a parceria, nos inspira a interagir, fundir e em consequência, transformar.
Assim acontece mágica!

Magia é isso, transmutações provenientes de relações dinâmicas.


Se o solitário e sempre temeroso Ego insiste em ficar confinado em si mesmo, em exercer poder e criar dependências, nós podemos contrariá-lo um pouco investindo em relações de troca justa, nada mais libriano! Amizade antes de tudo e depois, quem sabe, entrega. Com esses ingredientes no caldeirão o fenômeno mágico está garantido. Assim, poderemos interagir conscientemente com os outros e com nós mesmos. Grande passo em direção ao significado sagrado do Amor.


Desejo aos queridos librianos um feliz aniversário e muita inspiração, para que possam ajudar a harmonizar nosso mundo com a gentileza e o romantismo que vocês tanto sabem demonstrar quando estão felizes!



"Ao ser humano não relacionado falta inteireza, pois só se pode alcançar a inteireza através da alma, e essa não pode existir sem seu outro lado, que sempre se encontra num "Tu". Inteireza é uma combinação de Eu e Tu, e estes se mostram como uma unidade transcendente cuja natureza só se pode captar simbolicamente, como nos símbolos do rotundum ou da coniunctio Solis et Lunae ( o casamento místico do sol e da lua)"

C. G. JUNG

15 Setembro 2010

Por um mundo mais VIRGEM


Para que os seres de casa 6, os virginianos, os virgens, os puros, os exigentes e os frescos nunca deixem de buscar o que a alma deseja acima de tudo...


E quando a exigência é sua desgraça?



Ao longo de uma vida de aprendizados

escolhas e discriminações

O que é excesso, equívoco, restos e lixo

Vai sendo descartado

Assim como a normalidade

Limpar-se é distanciar-se do comum



Na sociedade fácil e satisfeita

O que deveria ser entendido como medíocre e nocivo

Tem o direito de existir

Feliz e naturalmente

Agressiva e opressivamente


Assim, no exercício do autoconhecimento lapidatório

O diamante aprende que bom é ser carbono

De que vale aprimorar?

 
No fim, o que você encontra não é

Um produto de qualidade

Um amor de qualidade

Uma vida de qualidade

No fim o que você ganha por ser alguém implacável

consigo mesmo...

É a solidão desértica da excelência

02 Setembro 2010

Afrodite Exaltada 2010


Página de diário de
Stella Maris
Devota de Nossa Senhora Virgem do Mar



" Eu preciso reconstruir minha persona que se perdeu no espelho da sombra. Há tempos não me sentia tão perdida. Tão distante de mim mesma.

A cada dia que passava, meu orgulho pela exaltação em peixes ia se transformando em dúvidas. Todas as virtudes que eu julgava imprescindíveis estavam se tornando aparentemente inúteis.

Onde está mesmo a riqueza de Netuno?
A pérola dos alquimistas realmente existe?
Seria o tesouro submerso apenas uma lenda?


Quando vejo o mundo da superfície com suas peripécias mentais e interesses práticos...  Palavras fáceis, atitudes-desespero, epidermes com epidermes...
Quando vejo a facilidade das conquistas desprovidas de alma, o pouco caso dos que descartam coisas valiosas sem tino para reconhecê-las, a alienação por trás da pretensão... Me desconstruo.
Parece a verdade.


Me questiono ao ponto de dissipar-me em pontos de interrogação.
Meus valores ocultos, meus sonhos, meus sentimentos e minha simbiose com as estrelas do mar, antes alicerces do meu cotidiano, agora me parecem ilusão, tempo perdido.
Olho para a realidade e me vejo triste, solitária no mundo invisível.
Ao redor,de fora, tudo igual, sempre.
Há quanto tempo as ondas vêm e vão em vão?


Tudo que escuto é que piscianos só sabem chorar e sofrer, que nunca conseguem ser práticos. Antigamente, a Vênus exaltada em peixes era meu maior orgulho. Até hoje me recordo das visões místicas que atingi graças a ela.


Mas mesmo tendo visto muitas vezes relances da Rainha do Mar e sentido suas bênçãos, o sofrimento e a dor das impossibilidades que acompanham os vislumbres do paraíso são por demais tortuosos na realidade seca.


Até a feminilidade que ela representa, sensível, poética, mística e espiritual, que interpreta amor como sinônimo de divindade e acredita em simbiose completa com outro ser no fundo das águas, se torna duvidosa e desconfiada com tantas cicatrizes, decepções e estiagems.


Mas faz parte do kit completo.
A mesma sensibilidade especial que eleva o ser no mais sublime sentido da existência - quando há amor, alegria e conexão - desce no mais profundo da zona abissal, fria, desolada e amedrontadora.
Vai mais afiar o poder secreto de peixes!
Mas quem tem não pensa em trocar.
Sim que pensa... Mas espera mudar de idéia por um motivo que o valha.


Então, como ser plena, feliz e realizada no mundo da superfície? Hoje em dia a visão do sagrado dá muito trabalho. Fé atrapalha. Ter visões nos torna patéticos, bobos, incapazes aos olhos do mundo que tem pressa.
A imaginação mítica do politeísmo supremo então...
Completamente solitários.

Mas o feérico existe, eu vejo.
Quem não vê e nem respeita, além de cego é prepotente.
Ri dos encantamentos, despreza o pó das fadas saindo lindo da varinha de condão. E quando é do interesse, ainda finge dominar a técnica de dançar com as ondas de Iemanjá.
Que palhaçada é essa? Neófitos fingindo inteireza transcendente? Onde estão os guardiões do sagrado sublime numa hora dessas? Silenciosamente pasmos...


Ano de Vênus, coisas mágicas e belas em pleno potencial para aflorar. Raramente e com dificuldades darão o ar da graça. No mais, o que se vê proliferando ao redor são pessoas desprovidas de tudo que Vênus Urania sempre considerou virtudes. Mas elas estão felizes, realizadas, nadando em prosperidade e se sentindo amadas por suas conquistas. Não é Paris Hilton e genéricas? Sure...


Elas são vazias e fúteis, mas espertas e encantadoras. Tem olho para o negócio e se relacionam primordialmente por interesse preestabelecido. 
Mas o que mais me impressiona ao ver essas versões em série da coleção Vênus Futilité é como o mundo combina com elas e como são rápidas suas conquistas. A oitava inferior da deusa tem milhões de admiradores.
O fácil é tão conveniente! Até eu queria, mas não me cabe, sou grande. Quando chamada para vivenciar na pele e na alma os peixes cósmicos, me foi dada uma missão. E o preço de minha inquietação metafísica em direção à totalidade seria mesmo a angústia.

Assim, no mundo do culto às aparências, não se encontra tantos motivos para amar a profundidade. Qualidades raras saem caro e dão trabalho. O que fazer então com tantos litros na anatomia psíquica? Peixes preserva fortes virtudes silenciosas e espera ser notado por quem tem sensibilidade para tal. Ele tem o mapa da fonte mas não sai espalhando pra quem não merece.


Mas e a sensação de perder tempo com água parada?
De ser tudo eternamente ignorado?
De estar fora da ordem mundial, de ser outsider, outlet, outbreak, out tudo?


Logo eu que antigamente costumava sentir a divindade, a Deusa Mãe encarnar no meu corpo e vibrar com meu sangue.
Verdades sutis, sentimentos transbordantes e... Sacrifícios.
Milhões de sacrifícios lá dentro acumulando fortuna.


O destino da sacerdotisa é renascer imperatriz.
Ou no mundo da superfície só tem espaço para os superficiais? Pois eu sonhei. Vi que existem pessoas de casa 10, altas na carta natal e no mundo das conquistas reais que podem ver além das ilusões da primeira camada.
Valorizam o indivíduo individuado.

Vi que há uma máfia azul onde a nobreza é o caráter, onde sensibilidade é status e valores são moedas de valor. É por isso que mesmo de cara com névoas de ilusão, não se deve corromper as vozes internas. Quando tudo fica nublado, os deuses conduzem no caminho. Lento e curvilíneo.


Hoje questiono.
Minha persona se perdeu no reflexo do espelho, no mundo das sombras.
Peixes chora quando descrente.
Vendo as pessoas leves da superfície quase me consumo pela inveja natural dos opostos. Mas elas parecem tolas, posam de felizes e nunca fizeram um sacrifício sequer pela valorização da pérola mágica. Nem imaginam talvez sua existência, afinal, não existe uma maneira fácil de se conquistar coisas de valor Real.

 
Então... antes do fim, em silêncio, a divindade me chama para a verdade. A maré sobe e tudo fica forte. Ela conhece os mistérios ocultos no meu ventre.
Com os olhos ela me diz que os que não sofrem maremotos, dilúvios ou afogamentos, tampouco sabem o que é o outro lado da vida no mar.
Ela diz que triste é quem não se lembra da cidade submersa e quem não sente o abraço maternal da sua senhora padroeira.
Redonda, urobórica, bonita.


Com a consciência dos 360 graus de visão e o centro do olho no fundo, tudo o mais é equívoco e fraqueza. Ela reina acima e absoluta. Invisível e onipresente. 
Transbordo plena de vida, imersa na verdade mais profunda do planeta água. Nada mais importa e tudo faz sentido.

Ela me mostra que meu centro é inabalável e que o mundo pode ruir que eu saberei como agir.

Os desesperados podem surtar, os medrosos gritar, os neuróticos falar sem parar, os instintos mais medonhos podem aflorar, os inseguros podem gritar, se auto-afirmar, os fracos se venderem, os falsos podem mentir... 
Que eu só vou observar. 

Ela me transforma pouco a pouco no porto mais seguro do alto - mar".



O melhor dos homens é como a água;

A água a todas as coisas beneficia

E não compete com elas.

Ocupa (os humildes) locais vistos por todos com desdém,

Nos quais se assemelha ao Tao.

Lao Tse


Homem livre, tu sempre amarás o mar!

O mar é teu espelho; contemplas tua alma

No desenrolar infinito de sua onda,

E teu espírito não é um precipício menos amargo


... Sois todos os dois tenebrosos e discretos.

Homem, ninguém conhece tuas riquezas íntimas.

De tal modo cuidais de guardar vossos segredos.

Baudelaire