27 janeiro 2007

Um estudo sobre a vida, a obra e o signo de Frida Kahlo.


À Frida Kahlo, que com sua arte multidimensional me introduziu ao Divino mundo da Mãe Natureza, das suas mais profundas entranhas ao mais sagrado mito da Lua no meio do Céu.
Tão real quanto surreal, sua linguagem é a mais pura tradução do coração. É bom compartilhar contigo essa visão cósmica do amor e da dor.
Sem dúvidas, um baluarte do Eterno Feminino!

Mapa Astral de Frida Kahlo
Observar a vida e a obra da artista plástica Frida Kahlo é como mergulhar nas águas primordiais do mito de Câncer. Nascida em seis de julho de 1907, Magdalena Carmen Frida Kahlo viveu e retratou intensamente todo seu amor, sua paixão e sofrimento.
Frida nasceu em Coyoacán, no México, mais precisamente na Casa Azul, residência que seus pais construíram em 1904. Aos seis anos de idade teve poliomielite e, apesar da fisioterapia, a perna direita e o pé esquerdo ficaram deformados para sempre. Mesmo assim, ela escreve em seu diário: “Minha infância foi maravilhosa”.
Apesar de nutrir sentimentos ambíguos pela mãe, descreve o pai como cordial e carinhoso. Foi ele quem a ensinou a usar uma máquina fotográfica que seria seu primeiro passo rumo ao mundo das imagens que em breve ela daria à luz.
 
No ano de 1925, ficou hospitalizada durante todo o ano, devido a um acidente automobilístico que lhe esmagou a coluna e fraturou a bacia. Foi no seu leito de repouso que começou a pintar. Através de espelhos, foi sua própria modelo e assim começaram os autorretratos que dominaram sua obra. Esta autoanálise levou-a a descobrir e experimentar tanto o seu próprio eu como o mundo à volta dele num nível novo e mais consciente.
Frida sofreu as consequências do desastre durante toda a sua vida e foi atormentada pela impossibilidade de ter filhos. Num período de quatro anos, sofreu três abortos. Suas pinturas exprimem os fardos que suportava sobre os ombros: uma grande dor física e o desespero que sua infertilidade lhe trazia.
 
Câncer é um signo feminino, regido pela Lua. Ele representa o poder criativo, o útero, a Mãe, os sentimentos arcaicos e as origens, assim como o universo colorido das imagens inconscientes. O fato de Frida, sendo ela uma canceriana, não ter tido filhos, parece um destino triste, porém necessário para que o significado mais profundo do mito pudesse manifestar-se em sua obra. Se não na forma de uma criança em carne e osso, na forma de criação artística.
Em um de seus quadros, chamado Os Meus Avós, os Meus Pais e eu, de 1936, Frida traça a história de sua descendência. A artista aparece como uma menina de mais ou menos três anos no quintal da Casa Azul onde nasceu. Ela segura uma fita vermelha que une seus pais, pintados acima dela, e seus avós maternos e paternos, por sua vez, acima de seus pais. Ela nos mostra sua existência pré-natal através do feto que se encontra no útero da mãe. A paisagem de fundo mostra-nos a terra (simbolizando os avós maternos que eram mexicanos) e o mar (representando os avós paternos que vieram da Alemanha).
 

Os meus avós, os meus pais e eu.
De onde venho?” A origem do mundo, da consciência, de si mesmo é um mistério que intriga os cancerianos. As origens, a família e o início de tudo são representados pelo signo de Câncer. Árvores genealógicas, retratos de família e raízes são temas constantes na obra de Frida, expressando assim, seu apego ao passado e seus fortes vínculos emocionais.

Amor materno
O primeiro amor de todas as pessoas é a própria mãe. Nas profundezas da alma esse vínculo será mantido, mesmo que não se tenha consciência disso. Frida sentia que sua mãe era fria e distante. Sua carência se intensificou pelo fato de não ter sido amamentada por ela. “A minha mãe não me podia dar de mamar por que a minha irmã tinha nascido apenas onze meses depois de mim. Fui amamentada por uma ama. Num dos meus quadros apareço com cara de mulher adulta e corpo de criança nos braços de minha ama, com leite à escorrer dos seios dela como se fosse dos céus”. A obra em questão é A minha Ama e Eu, de 1937:


Quando surge na tela acompanhada pelos vários animais de estimação, parece uma criança que dá e recebe carinho. Durante sua vida, teve gatos, papagaios, cachorros, macacos e até um veadinho. Todos surgiam nos seus quadros como substitutos dos filhos que nunca teve ou como símbolos e companheiros se sua solidão.
Os cancerianos vivenciam a unidade com a natureza sentindo-se parte dela. Esta comunhão com o natural, desperta um grande amor pelas plantas, pelos animais e por florestas, rios, campos e mares.
Frida sempre pintava ambientes naturais: O Sol, a Lua, flores e folhas típicas do México e muita água, seja em forma de lagos, de chuvas ou em forma de lágrimas. “Da água vem a vida” e, sendo o primeiro signo da tríade do elemento água, Câncer é profundamente guiado por suas marés interiores.
O amor por Rivera

Não se pode escrever sobre Frida Kahlo sem mencionar seu marido e grande amor: Diego Rivera, um dos maiores pintores mexicanos da época. Ele também foi um tema constante em seus quadros, aparecendo ao seu lado (Frida e Diego Rivera, 1931), na sua testa (Diego no meu pensamento, 1943), e em simbiose formando um só rosto, como está expresso no Retrato Duplo Diego e Frida, de 1944.

 


Frida adotava frequentemente, um papel maternal para com o marido e afirmava que “as mulheres em geral querem, acima de tudo, tê-lo nos braços como um bebê recém-nascido.” Para a artista, porém, o marido era muito mais que seu filho que não chegou a nascer. No quadro O Abraço Amoroso entre o Universo, a Terra (México), Eu, o Diego e o Senhor Xolotl, de 1949, ela se consagra como baluarte de eterno feminino, representando as várias dimensões da fonte da vida, do grande ventre cósmico, da Mãe de todas as coisas. Câncer representa este ventre materno, este manancial divino de onde tudo vem e para onde tudo vai. O início e o fim da vida. Nesta obra, tudo é Sagrado.
 

O Abraço Amoroso entre o Universo, a Terra (México), Eu, O Diego e o Senhor Xólotl
Vida e Morte são inseridas, de igual modo, na concepção harmoniosa do mundo da artista. A tela contém elementos da antiga mitologia mexicana que representam esses princípios duais, como, por exemplo, a deusa Cihuacoatl, que aparece abraçando o casal e com o seio a pingar leite. É ela que gera todas as coisas e também as devora. Essa idéia nasce da observação dos ciclos da natureza, onde tudo está sempre nascendo, morrendo e renascendo. 
 
O cãozinho que aparece dormindo nas mãos da noite é Xólotl, o guardião do mundo inferior. Em várias mitologias, o cão de guarda, como guardador do inferno, é familiar. Ele aqui simboliza a sabedoria instintual domesticada e a naturalidade da morte.
Para os mexicanos a morte é entendida como um processo, um caminho ou uma transição para uma vida de outra espécie. Os antigos diziam que os homens, quando morriam, não desapareciam, mas começavam a viver de novo, como se despertassem de um sonho. Na morte, os corpos são enterrados simbolizando o retorno ao útero da terra onde, renascidos, podemos emergir para um novo ciclo de vida.
 
O signo de Câncer representa o local de onde viemos e para onde vamos, o ponto em comum entre a vida e a morte. Como apenas uma linha tênue divide as coincidências e o destino, Frida mais uma vez representou seu mito particular, quando no mesmo mês e local em que nasceu, morreu, em 1954, no mês de julho, na Casa Azul.
 
“Espero a partida com alegria... E espero nunca mais voltar... Frida.”

Bem, assim são os cancerianos...
Difíceis de entender pela lógica, hipersensíveis, lunáticos, imaginativos.
Tradicionais, cultivam os hábitos, a cultura, as origens e valorizam o lar.  
Homens ou mulheres, mães zelosas ou artistas excêntricos, sempre sentimentais!

19 janeiro 2007

ZERO


 
Às 00h00, tudo está escuro e mais um dia se inicia.
360° traçados pelos caminhos da arte.
Há muitos mais, é claro. Zero em espirais.

Há que se ter bons olhos para ver a arte.
Olhos que enxergam além da visão concreta,
olhos que sabem ver o conteúdo não expresso pela mão.
Uma volta completa ao redor das intenções já é suficiente para alcançar a visão plena.
O óbvio e as entrelinhas, a presença e a ausência.
 
Estamos tão orientados para o “ver”, para o “ter”, para a substância,
que nem sempre abrimos os olhos para perceber o conteúdo da ausência.
Quem poderia ignorar os buracos negros?
Seriam eles nada? Sim, o nada que é tudo.
Como o zero em aritmética.
 
O zero é mais que um número.
Zero é forma eterna, círculo sem fim, aliança.
É ausência de entidade e fonte de promessas.
Como o silêncio é a fonte e a condição do som,
o vazio é um vácuo vivo necessário para que haja a existência.
O consciência desse “nada”, amplia de maneira mágica a capacidade de pensar e concretiza o assombroso paradoxo de que o nada é realmente alguma coisa,
ocupa espaço e contém poder.

E como tem poder o número de Plutão!
Um zero à direita multiplica por dez seu parceiro.
Assim é o coringa da vida lúdica.
Aparentemente vazio e imprestável, transforma o um em um milhão.
Grandes e incompreensíveis acontecimentos nascem no segredo, na escuridão do nada que existiu primeiro, no mistério do zero.

A Serpente do Universo morde a própria cauda e une o ponto original com o infinito.
O início encontra o fim e o alfa encontra o ômega.
Nesta realidade impalpável, temos um mistério divino.
Depois da volta completa...
Em algum lugar entre o tudo e o nada, a verdade é vista com outros olhos.
Olhos bons para a arte.
 
O um é individual
O um inverso é o zero
O Zero é um inverso
O Zero é universal
Universo em desencanto...

17 janeiro 2007

Quatro Elementos


Terra
Mãe, Mater... Matéria. Segurança e fertilidade, entranhas e escuridão.
O ventre da natureza gera o corpo, forma o túmulo e perpetua a criação.

Água
Na sutileza da lágrima e na magnitude do mar,
o azul da água é o tom do sentimento mais profundo e subliminar...

Ar
Discreto, porém vital, o Ar é invisível e onipresente.
Propaga o som, oxigena o cérebro e
cria linhas geométricas de força que atuam pela mente.

Fogo
O elemento das contradições não revela sua origem,
muito menos seu destino no brilho que traz,
mas se torna inesquecível por ser tão perfeito e tão fugaz.

13 janeiro 2007

SENHORA SERPENTE SIBILANTE

DISSE A
SENHORA
SERPENTE
SIBILANTE: O
SOM DO
SILÊNCIO É O
SEGREDO DA
SABEDORIA

21 - O Universo – A Alma do Mundo



Sobre o fundo Amarelo-Ouro da Grande Obra
Dança a Deusa alquímica: Anima Mundi.
Como um sonho de amor,
só ela poderia revelar ao Louco as chaves para alcançar o seu grande e insondável mistério:
A metade perdida de seu ser.
Aqui onde a Serpente morde o próprio rabo
Onde o início encontra o fim...
O Louco conclui sua viagem.
Seu mundo, como ele esperava, lhe era familiar.
Nada fazia sentido, mas tudo parecia combinar.
E o Centro do olho da alma
Era o mesmo Sol a Brilhar.

A dançarina não pára um minuto de dançar
Ela só quer saber da música das esferas
Do ritmo dos planetas em órbita
Rodar, rodar, rodar...
Girando a saia colorida
Na coreografia da Criação
Ela harmoniza os opostos,
Embala as almas e dá sentido rítmico ao caos aparente.
Consciente e inconsciente
Instinto e espírito
Unidos em sementes
De autocompreensão.
Entender-se em nível profundo
É descobrir-se um pequeno mundo.
Se ela é a chegada ou a musa inspiradora da jornada
Há de se desvendar a charada!

12 janeiro 2007

20 - O Despertar - KUNDALINI



Este arcano se chamava O Julgamento, mas...
Quem não pecou, não precisa ser julgado.
Por isso, agora essa carta se chama O Despertar.
Que tal? O Despertar da Serpente de fogo!
Afinal de contas, o título esotérico dessa carta é:
“O Espírito do Fogo Primitivo”.

Na base da coluna, no cerne da vida, a Serpente se guarda enrolada três vezes e meia. Por ali ela pode ficar para sempre, mas se alguém provocá-la...
Ao longo da coluna estão os Sete Chakras, alinhados um a um.
Da base à coroa eles expressam a energia vital.
Quando ela flui, a alma aparece e dá o ar da graça.
É quando as rodas de energia giram em busca de Deus.
Neste caso ele não está no palco exterior, mas...
Tentando nascer no templo interior.
Tentando...
Tentando a espécie humana!
Se não fosse uma tentação, não haveria desafio nem desenvolvimento da consciência.
Não é fácil nascer. Algo deve ser rompido.
Ventre, limite, tabu...
A cada parto, uma face de Deus.
A cada incêndio pessoal, uma libertação.
A cada curva, uma roda.
Sinuosamente a Deusa em forma de Serpente vai subindo e transformando a energia material em Luz.
Sexualidade e Espiritualidade: Kundalini.
Quem teve consciência e coragem deu à Luz.
A lótus de mil pétalas desabrochou.
Agora a divindade é a chama eterna que arde no coração,
Imune a qualquer julgamento.

19 - O Sol – Princípio Yang.


A essas energias opostas eles dão o nome de Yin e Yang.
Yin é o princípio feminino ou negativo, e Yang é o princípio masculino ou positivo. Embora o Yin sirva para designar terra, feminino, noite, frio ou escuro e o Yang para designar céu, masculino, dia, calor ou luz, nada existe em absoluto. Nada pode ser completamente Yin ou completamente Yang, pois cada um possui "sementes" do oposto.
O dia não existe sem a noite, o calor sem o frio e o Sol não existe sem a Lua.
O Sol é o máximo do princípio Yang. É Luz e poder, centro de nosso sistema planetário e centro do nosso sistema energético. Símbolo do nosso Ego, é o ponto onde brilha nossa personalidade, símbolo de nossa luz interna e da auto consciência. É o chakra central do nosso sistema planetário.
Às trevas dentro da luz e às luzes dentro da treva chamavam o pequeno Yin dentro do Yang e pequeno Yang dentro do Yin.
Talvez por isso, uma pitada do frio azul, no calor vermelho da bola de fogo!

11 janeiro 2007

18 - A Lua – Numinoso duplo da natureza feminina


Nos profundos mistérios da psique feminina, duas poderosas forças opostas se completam e se combinam de várias formas. Toda mulher é dual.
Uma face se mostra mais civilizada e compreensiva.
Plena e iluminada como a Lua cheia.
E lá nos recônditos do seu ser, habita a sombra primitiva.
Uma faceta mais irracional, emocional, criativa e quem sabe... Verdadeira.
No paradoxo da natureza dúbia das fêmeas está o sentido dos humores alterados e dos ciclos caóticos do ser e não ser, desejar e esquecer.
Luz e sombra, fases.
Ser “duas em uma” e se combinar de várias formas não é fácil.
Ouvir o “Dark side of the Moon”, menos ainda.
Mas o álbum do Pink Floyd pode ser inspirador...

Citações lunáticas:

 
Além de mim há sempre uma Deusa terrível
Maravilhosa...
Oculta sempre dos meus olhos.
Eu a tenho e ela me tem.
Somos só uma... Amém.
Selene Silva – Médium de incorporação da Pomba Gira.

 
Certezas absolutas e dúvidas cruéis!
O que fazer com meus impulsos tão lunáticos?
Tão duais...
Tudo depende de você... Sol.
Sou só seu espelho a brilhar.
A própria Lua, cheia em Libra.

 
É um ato de profundo amor o de se permitir ser perturbado
pela alma primitiva dos outros.
Clarissa P. Estés.

 
“Era una belleza extraña y salvaje, un rostro que al pronto extrañaba, pero no se podía olvidar. Sobre todo, los ojos tenían una expresión voluptuosa y feroz a la vez que no he encontrado después en ninguna mirada humana”.
Ojo de gitana, ojo de loba
".
Prosper Mérimée.
 
Ser mulher, fêmea, feminina e ao mesmo tempo selvagem e livre confunde
os pobres egos masculinos.
Não estou competindo com eles! Talvez esteja questionando para provocar, para tirá-los do conforto, do rabo da saia da mamãe.
Se assustou, volte para o buraco de onde saiu.
Se gostou, seja bem vindo ao meu!
Cibele Eva, gostosona solteira em Goiânia.

 
Eles jamais saberão o que é ser plena como a Lua.
O que é ser a noite, ser difusa, nebulosa, eterna.
Obscura, porém onisciente.
Eles jamais saberão o que é ser duas ao mesmo tempo
Orbitar discreta e refletir o Sol
Sendo e não sendo por todo o sempre.
Mas...
Que amor eu sinto por eles!
Eles jamais saberão...
Luna Lee, poeta notívaga, sofredora de T.P.M crônica.

10 janeiro 2007

17 - A Estrela – Stella Matutina



Esperanças são águas que jorram do coração.
Nascem do desatino
Fluem sem destino
E inundam a mente
O quarto, o chão...
Chove o sentimento evidente
Em lágrimas ou estrelas cadentes
No céu repleto de desejo e intenção.
Amores ao léu?
Se uma gota cai na semente
Fertilidade
Realidade
Presente
Nenhum devaneio em vão.
Assim na terra como no céu!
Já dizia Salomão...

16 - A Torre – Providência Divina


O orgulho esconde a carência
A vaidade esconde inseguranças
A agressividade esconde a fraqueza
A solidão esconde o medo...

Tudo escondido dentro das paredes de concreto do ego.
Até que num dia de chuva, um raio celeste rompe as estruturas e quebra as máscaras.
Humildemente humanos
Agora somos divinos.

Ira
As explosões naturais são muito mais catastroficamente enriquecedoras que o gelo seco da indiferença esnobe dos donos do mundo!
Na fatalidade, o pulsar da existência.
E quanta vida há no líquido que corre!
O sangue esquenta a pele.
Faz tremer o corpo.
E lembra o quão vivo grita o coração.

15 - A Sombra - O Diabo não está mais no porão!



O Anticristo, Asmodeu, Diabo, Demônio, Demo, o Maligno, o Cão, Capeta, o Pai da Mentira, Satanás, Satã, Sadã, Bush, o Inimigo, o Tentador, o Tinhoso, o Maldito, o Príncipe do Exílio, o Senhor deste Mundo, o Renegado, o Rabudo, o Chifrudo, o Cara lá de Baixo, o Pai do Rock (Oh Yeah!), Belzebu, Baphomet, o Bichão, Mefisto, Mefistófeles, o Anjo Caído, Lúcifer, o Adversário, o Rei das Moscas, a Serpente, o Bode, o Lobo Mal, Anjo da Luz, o Imperador das Trevas, a Sombra, o 666, o Marketeiro, o Tio Sam, Bin Laden, o Acusador, o Exu, a Besta do Apocalipse, o Irmão gêmeo de Deus, o Senhor de Todos os Nomes a não ser seu verdadeiro:
Homem.


Quem não tem medo da cara feia?
Quem tem coragem para encarar o próprio rabo?
Quem tem consciência suficiente para tirar o diabo do porão?
Mas, antes de tudo, quem é o Diabo?

Antigamente, na época em que imperava uma visão mais limitada e folclórica, tinha a forma de um monstro peludo, antinatural, grotesco e assustador.
Hoje em dia, para alguns fanáticos religiosos, ele ainda é este ser horrendo que parece ter mais poder para o mal que o próprio Deus para o bem. Porém, para aqueles que de certa forma buscam o conhecimento e a evolução espiritual, sua imagem foi se humanizando ao longo do tempo.Talvez porque agora estejamos mais preparados para encará-lo como aspecto imperfeito de nós mesmos ao invés de uma criatura sobrenatural ou demônio infernal.

A verdade é que ele é a sombra da própria humanidade imperfeita. Nós criamos o Diabo e lhe damos força cada vez que nos recusamos a olhar para dentro de nós mesmos. E como é sempre mais fácil achar que a culpa é dos outros, fechar os olhos para nossa podridão e freqüentar o mundo perfeito e hipócrita dos seres superficiais, cabe aos artistas, aos filósofos e às pessoas de gênio, encará-lo por inteiro.

Não existe figura mais ambígua e contraditória. Macho e fêmea, repulsivo e atraente, pode representar a corrupção humana, a ambição desmedida, os medos, os impulsos destrutivos, as aberrações e, nos dias de hoje, o poder da tecnologia que mecaniza a Terra e esmaga a natureza e a humanidade.

Por outro lado, ele também encerra em seus vários significados, o Êxtase e a “Divina loucura”. É o deus Pã e a sua liberdade, é o nosso lado animal e o que temos de mais natural. Muito mais selvagem amoral e natural que maléfico, é a paralisia dos humanos, escravos do medo e da falsa moral, que cria o problema. Somente quando reprimidos, os instintos que ele representa se tornam negativos e assustadores. Livres, eles são divertidos, prazerosos e até despertam a inveja dos puritanos.

Quem não tem medo da cara feia? Quem tem coragem para encarar o próprio rabo? Somente aqueles homens e mulheres de energia superior, os inconformados, os rebeldes, os últimos “selvagens”, os buscadores, os artistas ou aqueles que sabem que a liberdade de simplesmente “ser” contém o fator-desafio: incorporar a sombra, aceitar as próprias imperfeições, despir-se da tão confortável hipocrisia e, porque não, tirar o Diabo do porão?

09 janeiro 2007

14 - A Temperança - A Arte do equilíbrio


Ondas de pensamento e sentimento sobre a matéria etérea: Imaginar é criar.

13 - A Morte – Eternidade


Aqui na escuridão estão as sementes.
Aqui neste lugar insuspeitado pelo intelecto mundano
E seguro para o sagrado ficar oculto, se esconde o Amor...
O amor está nos detalhes
E se revela pelos símbolos.
Sem sentido não há alimento.

E o “Petit Mort ”...
Esse era um mistério como nascer e morrer.

Espécies raras de florestas esquecidas surpreendem
Antigos habitantes do mundo subterrâneo...

A Morte não é apenas obscura.
Repare o quanto todas as cores combinam com ela.
Talvez ela seja uma deusa em eterna metamorfose:
Primeiro se apresenta mortal como um ameaçador escorpião
E depois revela sua sedução na asa multicor do espaço infinito.

A Alma:

“Eu estou sempre mudando de aspecto.
Conhecendo todas as manifestações sagradas do mistério.
Viajo pelos portais da transformação
No processo de morte e renascimento eternos.
Quem morre é o casulo.
No céu brilham as asas coloridas do renascimento.
Deixar ir, abrir mão, entregar.
Aqui, perder é ganhar.”

A Alma é uma realidade que não aparece no espelho.

12 - O Pendurado – Menino Semente


Criança Divina
Redentor
Entregue ao sacrifício
Transforma dor em flor


Doze horas
Doze meses
Doze constelações...
E o tempo não passa por aqui.
Há quanto tempo estou no poço do sacrifício?
Ainda há algo que devo aprender pela dor?
É verdade que sofro, mas não me ofereçam Prozac
Ou digam que não tenho Jesus no coração!

Estou amadurecendo.
Tudo se maturando enquanto eu passo o tempo.

Mas o tempo, sem reciprocidade, não passa.
A sensação de impotência me leva a questionar:
Onde termina o poder do destino e começa o meu livre-arbítrio?
Até onde sou responsável pelo que me acontece?
No ângulo impossível para meus olhos e na dimensão inacessível à minha consciência estão os carrascos da história ou os bondosos guias do meu fado?
Suspenso por minhas próprias limitações e ouvindo o silêncio da preparação...
Fecho meus olhos e me permito abrir mão.
Entrego-me. Ouvi dizer que a dissolução é o segredo.
Acredito nos Deuses da Evolução.
Sinto que além do que posso compreender com a razão,
O Senhor dos Sete Mares realiza sua operação.

Catarse mística, limpeza espiritual, aprendizado forçado
Em dimensões oceânicas.
Estou suspenso em sacrifício, transmutando dor em flor.
De cabeça para baixo, aprendi a ver tudo sob outro ângulo.
Aprendi que o bem parece mal, que a loucura pode ser a cura.
Que no silêncio reside o maior sentimento.
Que o fanatismo oculta incertezas e que as dúvidas são o caminho para Deus.
Que perder pode ser ganhar e que a verdade espreita enquanto a mente mente.
Aprendi que enquanto o mundo não puder ser meu, eu serei o mundo.
E que quando tudo estiver certo, é certo que estarei livre!

11 - A Força – A Viúva da Fera


“Com elementos da cultura pop e da visualidade kitsch, essa releitura de A Força brinca com a iconografia apresentada costumeiramente nessa carta do tarô. A mulher e a fera – esta geralmente presente na forma de um leão – estão lá, mas não da maneira romântico-medievalista que se convencionou mostrar. A figura feminina já não é a donzela idealizada que domou o leão. Não possui a vasta cabeleira longa e o vestido luxuriante deu lugar a uma mini-saia arrematada por um par de meias no velho estilo arrastão. Como se tivesse saído de uma história em quadrinhos, agora a figura central é uma mulher que utiliza poderes diversos para dominar o monstro rude. Talvez ela seja uma prostituta, quem sabe uma foliã de um carnaval mais que pagão. Talvez, nem mulher ela seja mais. Quem sabe não passa de um travesti em sua mimese sexual?
Fantasiada com a juba do leão, a figura também ostenta sua estola amarela. De fato, o bicho não está na carta. Dele ficou o amarelo, os pêlos, as peles, a pelúcia. A mulher o dominou completamente e de sua força se apropriou. O leão foi sorvido numa xícara de chá mate. Para mim, com umas gotas de limão e sem açúcar, por favor!”

Texto de Sálvio Juliano.

10 - Roda da Fortuna – A mobilidade da sorte.


Senhoras e senhores!
Sejam bem - vindos ao Circo da Vida!
Sua sorte poderá mudar da noite para o dia.
Não há limites para as ironias do destino.
Com vocês, a estréia de nosso novo número:
“SAMSARA”

O Super-herói quer ultrapassar os limites
Alça vôo no céu das superações
Ascende em direção ao topo das conquistas
Aparentes
O Palhaço lá já se encontra
Pois os ignora completamente.
O Domador antes os impunha.
Agora em queda aprende quem manda
Realmente.
E a Mulher...
Sobre a roda
Ligada ao centro
Eis o movimento!
Esta é uma questão a se filosofar...

A roda mais uma vez girou.
O que é passado e o que é inerente à eterna Roda do Destino?
Mais uma curva...
Mais um capítulo...
Mais reticências ou afinal, o ponto final?
De tudo, só posso deduzir que a liberdade de ser e estar,
A capacidade de aceitar o presente e o dom de “não” prever o futuro,
É que nos conduzem à sintonia com a história traçada pelos Deuses.

09 - O Eremita – O Senhor da Visão


Discrição, Silêncio, Paciência e Solidão:
Queridos lemas do Alquimista Ermitão.
Solidão já virou virtude para o Eremita que guarda e aguarda a Luz.
Quando a lamparina ilumina o que há dentro, o mundo externo escurece por completo. E o que há lá no fundo? Um templo.
Um palácio por demais perfeito para ser abandonado.
Sozinho e imerso na solitude, ele encontra a paz e seus mestres superiores.

Um olhar afiado pode cortar os véus e perfurar as máscaras.
Enxergamos por camadas.
Somente os olhos que se voltaram para dentro, tudo podem ver.
Só a conquista dos 360° permite a visão plena.
Revoltados contra seu ângulo básico de visão
Revoltaram-se e enxergaram além.
Miraram-se no espelho e conheceram
O segredo oculto na pupila.
Viram a si próprios e agora possuem a visão ampliada.
Viram os olhos que olham por eles.
E agora enxergam por três.
Insights do Terceiro Olho...

08 - A Justiça – Lei Natural


As Leis.
Algumas leis estão acima da consciência humana
Algumas leis são eternas e imutáveis...
Não há justiça, apenas verdade.
A justiça dos homens é cega
Para a verdade absoluta.

07 - O Carro – Do infra-vermelho ao ultra-violeta




A fórmula mágica da transcendência é simples:
Deixe os altos decibéis das melhores canções invadirem o mundo!

NATARAJA NATARAJA NARTANA SUNDARA NATARAJA...

Novo milênio.
Noite adentro e cidade a fora...
Ela vem de longe, espalhando nuvens de cor e som.

Sobre o solo escorpiônico de sua terra natal

Pratica a magia serpentina
De equilibrar forças opostas

Além do bem e do mal.
O carro ficou na garagem

É a música que conduz a viagem
No plano astral.

Sete estrelas andarilhas são as esferas da vida em evolução
Sinfonia dos Planetas guiando o instinto

No processo alquímico da transformação.
Acho que ela escuta Laurent Garnier, não sei não...

Dragon Power Hands + Dangerous Mind + Electronic Music = Hypnotic Dance

Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si...

Solta a serpente!

HARE KRISHNA

Sete cores do arco-íris
Cor musicada

Canção colorida

Imaginação...

08 janeiro 2007

06 - Os Amantes – O abraço do Rei Sol e da Rainha Lua



O desconhecido era apenas um conhecido
Muito esperado e desesperado por mim...

No encontro dos amantes
Língua e linguagem em comum.
Eclipse total
Dois em um.

Sol: Se eu me amo e você se ama mais ainda,
Imagina o quanto podemos nos amar!
Lua: Sempre reflito você.
Sempre reflito sobre você.
Que nossos reflexos e reflexões nos conduzam ao amor Real!
Nobreza e realidade
Coroas e proximidade.


A água refletida nos olhos de Narciso
Não eu não te amo.
Não amo ninguém mais que a mim mesma.
Afinal, o que é o amor senão a minha imagem
Projetada em suas pupilas?
Senão os meus sonhos realizados nos seus atos?
Senão o meu homem interno interpretado por você?
Não, o amor não é nada.
Nada além de egoísmo.
Creio que sou egoísta
Tão egoísta...
Que apesar de não te amar
Desejo seus olhos de espelho a cada segundo diante dos meus...
Na cumplicidade egoísta dos amores recíprocos!


05 janeiro 2007

05 - O Xamã – Curador dos dois mundos.


"Fire, sacred fire
Burning through the night
Come to me in the dreamtime
Bring me visions of light"…


Em uma noite especial, escolhida pelos astros, ele foi chamado.
As sombras o abraçaram e sua percepção foi ampliada.
Na escuridão ele enxergou a cura e recebeu os dons de seus ancestrais.
Agora que ressurgiu para a luz, ele se tornou o Curador.
Sobre a espiral da vida ele exulta a serpente do conhecimento e abre brechas no realismo para que o espírito sibilino preencha o astral e traga visões da luz.
Na liturgia mágica do culto ao fogo!

Quem eram os primeiros artistas? Com toda certeza, eram os xamãs. Sabe-se que desde os tempos imemoriais eles desenvolveram uma capacidade divina de inspiração, um dom extra-sensorial que os permitia descer às profundezas do subconsciente através do transe e, ao contrário dos simples mortais, retornar em seguida ao mundo dos vivos.
Com a capacidade de conhecer o desconhecido e com seu talento excepcional para expressá-lo através da arte, o xamã desenvolveu o conhecimento das forças ocultas da natureza e do homem.

O xamã é o mestre desse outro mundo, e é por isso, que a palavra xamã significa em algumas culturas "aquele que vê no escuro".
Mesmo hoje, os artistas continuam sendo mágicos cuja obra é capaz de nos seduzir e emocionar. Eles sabem que para libertar o que há de mais inspirador e criativo no homem há de se mergulhar no desconhecido, com fé na sabedoria da natureza e no destino superior da humanidade.
Para transformar instinto em arte há de se ter muito sangue nas veias!

Chegou a hora de recordarmos o culto do fogo.
Todos nós deveríamos sair a passeio nas matas e lá, no seio profundo da Mãe Natureza, fazer fogueiras, acender o fogo, orar e meditar. Dessa forma podemos atrair do alto e do centro da Terra, poderosos fluxos de energia vital, e assim sentir aquele senso quase perdido de conexão espiritual com a natureza e todos os seres vivos.
Nos tempos modernos, a ciência e a tecnologia criaram a ilusão de um controle sobre as forças naturais, maneiras aparentemente confiáveis de passar os dias sobre o sobrenatural.
Seguros e entediados, somos a expressão da monotonia.
E alguma coisa ficou morta no âmago da vida...

Para Jung, somos naturalmente “animais religiosos” e se não encontrarmos um sentido superior para a existência, este instinto apaixonado é reprimido e atua a serviço do mal.
Sim, somos animais! E precisamos da natureza para sentirmos a divindade como ela é em sua totalidade.
Aqui, toda paisagem é viva, toda semente é sagrada e os animais, divinos. A realidade é luminosa e o momento, impregnado de sentido.
Se a raiz da doença moderna é o vazio de significação, o ritual é a antítese da alienação! Vamos fazer arte!

Receitas do Xamã para se viver com saúde:
Fogo na vela, banho de chuva, vento nos cabelos, filosofias sobre o universo madrugada a fora, massagens, danças sagradas e muitos sonhos ao dormir.


"Circle round, spiral down
To this heart open wide
Healing light, burning bright
Dry these tears I cry".
 
Denean and Cherokee Wayne.


04 - O Imperador – O Alfa-Macho



Quando o homem selvagem se torna O Imperador.
Alguma vez você se perguntou o que faz neste planeta? Enquanto todos estão, você não se encontra? Enquanto todos têm, todos podem, você deseja? Enquanto todos estão satisfeitos, você está faminto e inconformado com tanta mediocridade? Tudo que você precisa é de compreensão e eles só querem paz?
Bem, você deve ser uma espécie selvagem em extinção.

Em biologia, muito se ouve dizer que os melhores exemplares de uma espécie se desenvolvem em clima adverso. Que a luta, as dificuldades e a lei da sobrevivência são fatores que contribuem para a formação de um indivíduo superior.
Voltando nossa atenção para a seleção natural da espécie humana, podemos observar que não é muito diferente. Por exemplo, compare o Gugu Liberato com um antigo gladiador romano. Um filhinho de papai alienado e sem colhões com Don Vito Corleone (crimes à parte). Entendeu?

Se você tentou se adaptar de alguma forma e não conseguiu, você tem muita sorte, além, é claro, de uma essência não domesticada. Sendo um cisne em meio aos patos, é verdade que você pode ser um homem solitário, mas sua alma está abrigada, protegida em algum lugar.
Portanto, se você se considera um lobo-guará em extinção, não se desespere! O comportamento civilizado muitas vezes é uma jaula de ouro. Ações politicamente corretas e bem comportadas demais são camisas de força prêt-à-porter e excesso de bondade é fraqueza.

O macho dominante na natureza é aquele que conquista seu espaço, demarcando bem seu território e fazendo jus aos seus instintos (quem sabe, faz!). No jargão dos biólogos evolucionistas são chamados de “Alfa-machos” e são portadores dos melhores genes reprodutivos. Patriarcas em potencial.
Se um dia o patinho feio se torna um cisne, o que dizer dos selvagens em extinção?
Nessa hora vem a parte mais importante da história: eles se tornam os poucos que amam de corpo e alma, encontram seu trono por mérito e não perdem o melhor da vida por uma questão de educação. Prêmio mais que justo para quem suportou o inverno, segurando a primavera nos dentes!

E muito tempo depois...
Em sua serena longevidade, o Imperador observa suas conquistas com coroa e cetro divinos. Ao trabalhar para superar suas aflições, supercompensou e criou seu destino. Tornou-se senhor de seu próprio império pessoal e cultural. Seu trono quadrado dá a entender que ele agora domina os quatro elementos e convive em paz com sua natureza selvagem. Para se tornar um “rebelde civilizado” ele se situou no espaço e no tempo e usou sua visão aguçada para ver além. Pensou como um “mafioso do bem” e mudou sua realidade metendo a mão no mundo material.
Agora a esfera da natureza está em suas mãos e a sandália tranquila da paz interior nos seus pés!